é isso.


Fora do senso comum
rasgando a realidade consensual
inimigo do ethos tribal
sou o filho marginal
astuto como a serpente
simples como uma pomba
caminho estreito e sem grana.
Ovelha negra da família
chegou a hora da ousadia
se desgarra do bando
conheço a agenda
desvendei o plano
enquanto a maioria faz festa
eu observo pelos cantos...
quando caio
eu mesmo me levanto.
E não venha de conversinha
já passou o tempo da mentira
vem chegando o grande dia
quero ver quem é quem
quando acabar a comida.
Vão se lembrar de mim
na hora da visita.

Nuvem que passa...


Nascemos numa determinada condição. Temos uma família, amigos e amigas que vão se agregando com o passar dos anos, relacionamentos, por vezes constituímos família e vêm os filhos e filhas e, de repente, nos descobrimos já enredados em toda uma história de vida, composta por nossos atos, por nossas vivências. Temos nosso trabalho, nossa vida social, nossas buscas... Na maior parte das vezes não notamos isto acontecer, somos levados pelas situações de vida, uma após a outra e de repente descobrimos que somos "o que fizeram de nós". O primeiro e mais difícil passo na trilha dos invisiveis é lidar com o "que fizeram de nós". E o que fizemos de nós.

É muito difícil isso, mesmo quando pregamos que devemos mudar e tal e tal estamos usando toda uma sintaxe e modo de agir e um portar-se completamente escravizado ao que "fizeram de nós". E óbvio o que fizemos de nós. Pensar como vítima, só atrasa.

Passamos a vida repetindo as mesmas histórias, as mesmas rotinas, as mesmas frases, depois é uma enfadonha variação sobre o mesmo tema, muitas vezes nem tão ampla assim, apenas o repetir e o repetir dos mesmos diálogos, dos mesmos medos, das mesmas carências, dos mesmos conceitos prontos.

Este é o primeiro ponto que o caminho dos invisíveis toca, somos criaturas de inventário. Vivendo construímos uma vida, relacionamentos, geramos uma imagem que as pessoas se fiam, a ponto de poderem mesmo prever como vamos reagir numa situação. E gostamos disso. Dizemos : "Sou assim" , ou ainda "é meu jeito" , "sou desse jeito" , "me conheço".

Quando nos dedicamos a uma sincera e profunda observação de nós mesmos vamos descobrir que o pretenso "eu" inexiste enquanto tal, isto é enquanto entidade singular, somos é aglomerado, uma aglomerado de sentimentos, de jeitos de reagir, de emocionar e raciocinar que de manhã quer uma coisa, de tarde outra e a noite outra.

Isto não é um tema para "crer" é algo para se observar e constatar. Muitos caminhos propõe vários exercícios de auto observação para que possamos constatar o fato dessa multidão disfarçada de "eu" que somos, assim como a inexistência, até que trabalhemos para, de um ente singular e consciente em nós.

Há duas formas de abordar o caminho dos invisíveis . Podemos usar as informações "místicas" para melhorar nossas vidas, como podemos usar as informações médicas para viver com mais saúde. Mas isso não nos faz invisiveis ou médicos, nos faz pessoas mais espertas que a média, que usam de conhecimentos mais especializados para viver com mais qualidade.

Agora, pretender SER um invisível é outra coisa, outro departamento e não é para espíritos fracos, indecisos, que querem apenas melhorar sua "condição de vida" mas não tem as "vísceras de aço" e o "amor a vida", senso crítico, rebeldia, e uma mente ativa, curiosa e questionadora que os videntes vêem como condições básicas para a ousadia de enfrentar a imensidão que nos envolve.

Por isso é importante deixar claro que existem muitos caminhos de Xamanismo, caminhos que exigem muito menos que o Xamanismo invisível...

Não são caminhos "menores", "menos evoluídos", "mais fracos", não, nada dessas bobeiras comparativas, apenas são outros caminhos e tem todo seu valor , devem ser respeitados, tem suas metas, mas não devemos confundir o xamanismo invisível com toda sua exigência de disciplina e dedicação com outros caminhos ...

O primeiro passo para quem pretende iniciar-se na árdua trilha do invisível é saber que a vida comum ficou para trás. Não adianta querer ser mais ou menos, querer ficar com um pé em cada canoa, ou tu passas a dimensão mítica do invisível que é um estado de sonho acordado, um mito que foi gerado num passado incalculável, na imensidão desconhecida do espaço-tempo e chega até nós ou é melhor assumir que queremos apenas tirar dicas desses conhecimentos para melhor viver, como alguém que lê obras médicas para se informar sobre um viver saudável, mas não quer ter o trabalho de se formar médico. Tu podes saber muito de medicina e isso te ajudar bastante em tua vida, mas isso não te expõe a ter que sair de madrugada para atender alguém.

Um invisível , por exemplo, tem que apagar a própria vida e a própria rotina, por exemplo, para poder entrar e sair dos mundos vários que visita sem chamar a atenção.

Alguém que tem filhos, família, meio social, vida profissional rígida e exigente crê que pode fazer isso?

Não há como conciliar a medíocre vida "comum" e a avassaladora proposta do caminho do invisível.

E o paradoxal é que o começo do caminho passa pela resolução do aqui e agora onde estamos, da vida cotidiana que vivemos, mas não se limita nela.


A vida comum pode ser usada como campo de treino e combate, como campo de desenvolvimento, mas isto já significa uma mudança imensa de nossa relação com a vida e com as pessoas do mundo que nos cercam.

Um homem ou mulher que começa a trilhar o CAMINHO vai notar que sua vida "comum" ficou prá trás e cada vez mais é distante qualquer coisa que nela estava.

Por isso é dito que a morte é o passaporte para o estado de invisível e não é nada simbólica essa morte, é real, total, completa, o velho ser, que nasce para servir a desígnios vários que não o seu, tem mesmo que morrer, para que haja o renascimento completo e surja o novo ser.

Aprender a agir pelo prazer de agir é um dos pontos fundamentais nessa mudança. Deve-se observar o ego e o vocabulário que usa-se para notar que interiormente ainda está em busca de aprovação, de recompensas, por mais "espirituais" que pintem essas recompensas.

Raramente entendemos quando o universo nos envia alguém como seu elo, ficamos presos a nosso eu mesquinho, desconfiado e nem percebemos a imensa sorte que temos.

Uma das maldições dos seres humanos é essa, só perceberem as coisas depois que elas já não estão mais ao seu alcance.

Não ter história pessoal é uma conquista que precisa ser cuidadosamente trabalhada, mal direcionada pode levar a uma esquizofrenia completa, onde a pessoa não sabe para onde vai nem onde fica, o popular onde eu estou? Para onde eu vou? Quem sou eu?

Tem gente que não combina com a família, com o meio onde vive e quer usar de desculpas místicas para "fugir" desses desafios.

Outros escutam alguns termos novos de magia, ocultismo, e já saem por aí papagaiando informações que o sujeito ainda nem assimilou, nunca vivenciou, apenas ouviu falar. A superficialidade, e a necessidade de reconhecimento que divide e atrapalha o entendimento, colocando as carroças na frente do boi. Fora o "altum falatorium" para ser o centro das atenções numa roda de conversa , onde a maioria só fala de futebol, sexo, novela e festa.

E o CAMINHO não é de confusão, nem de atrapalhações, muito menos de fuga, neste sentido de perder o equilíbrio existencial, justamente o contrário, só um profundo estabelecer de um equilíbrio existencial pode nos colocar em sintonia com as energias mais amplas que nos abrem portas para mundos outros que não esse.

A vida "comum" não combina com o Caminho, paradoxalmente só resolvendo e atravessando a vida comum poderemos "entrar no caminho" , pois nosso desafio é o mundo onde estamos, os maiores obstáculos estão na vida cotidiana e só quando eles forem vencidos poderemos ter certeza que estamos prontos a nos aventurar na vastidão.

Pois este tem sido o desafio, nós que nada somos, suportarmos sem ser destruídos, enfrentar a absoluta solidão da ETERNIDADE.

Sonhar não é fantasiar.

Sonhar é transformar o sonho em um local efetivo e pragmático de ação.

Sonhar tem poder porque podemos morrer nele, isto é uma frase fantástica para ser meditada.

Para um invisível o sonhar é seu campo de ação e trabalho, tanto quanto o mundo cotidiano é seu campo de ação e trabalho.

Assim, tem valor, os momentos que estamos auto conscientes, tudo mais é fantasia e escapismo, quer neste mundo, quer em outros, com o agravante que o mundo dos sonhos pode nos iludir muito mais com imagens e vivências cheias de fantasias nas quais as pessoas adoram bajular

Espreita não é fingimento.

Muda teu jeito, teus hábitos, teu linguajar, tua história, tudo e de tal forma isso ocorre que tudo que acontece na tua vida focaliza ainda mais o que está sendo espreitado, pois a espreita para um invisível do abstrato, que não tem propósitos , que age pelo prazer de agir e é apenas reflexo do espírito é guiada pelo próprio universo, cabendo-nos apenas fluir com as diretrizes, os sinais que o éter claramente coloca em nossas vidas.

Por isso mesmo se tudo que foi armado numa situação não der certo, mesmo que as pessoas envolvidas numa complexa espreita falhem miseravelmente, optando por ceder a seus medos, voltando a sua forma antiga de agir e perdendo (temporariamente que seja) tudo que foi trabalhado, um invisível em nada se acontece, pois desde o começo não esperava nada mesmo, apenas vai rir e se recolher em si mesmo, aguardando o próximo desígnio do céu, que nos enviará a outros sinais, para novas aventuras.

Desejar o PODER, pretender trilhar o CAMINHO é algo muito, muito sério, porque é avassalador.

É uma pretensão sem volta, quando pretendemos, sinceramente, ir ao CAMINHO, o CAMINHO vem até nós também, o mesmo tanto que lutamos pelo CAMINHO o CAMINHO luta por nós.

Ser um invisível não é uma decisão que tomamos, é algo que é decidido lá fora, nesta imensidão incomensurável da qual somos parte ínfima e insignificante.

Um invisível não se aventura no desconhecido por cobiça, isto seria tolice, a cobiça não funciona nesta vastidão.


D. Juan Matus dizia que só por AMOR, amor ao que intriga, ao mistério, a vida, isto é que motiva um invisível a esta tremenda aventura. O pragmatismo de um invisível vem da constatação de que o pior que podia acontecer é morrer e isto é a única certeza que temos, daí que nós que já perderam tudo, o que mais temeríamos perder?

Um invisível nada tem, para nada ter a perder, assim sem apegos pode se lançar livre e voluntariosamente ao desconhecido, as vastidões da ETERNIDADE e suportar mesmo o frio olhar da INFINITUDE.

Um invisível sabe que a parte humana da TOTALIDADE é pequena demais, assim não há como "pedir", "rezar", "barganhar" com esta TOTALIDADE, como fazem as religiões, assim tudo que temos é nosso poder pessoal, nem mais nem menos.


Um invisível sabe que é efêmero, nada mesmo, que só tem este tempo mágico sobre a Terra e vai viver tempo de menos para presenciar todas as maravilhas possíveis, assim isto é uma pena, mas só isso ,uma pena e ser um invisivel é justamente usar esta constatação não para autocomiseração ou auto piedade, mas para tornar mais forte seu propósito de trilhar com sabedoria e desapego o caminho da vida, regalando-se com cada detalhe, com cada momento.

Que prazer inenarrável há em assim viver, fazer de cada instante o único, cada tecla aqui tocada momento único e final dessa aventura chamada vida.

Assim não há espaço na vida de um invisível para estados de espíritos imbecis, limitantes, depressivos ou algo assim, isto tudo é pura frescura, pura bobagem que só cabe em quem se acha eterno e imortal vaidoso e preguiçoso.

Quem sabe que a morte está sempre caçando, que nada nos garante o próximo instante, quem disso está ciente nunca vai se entregar a tais estados de espírito, vai lutar bravamente para ter sempre o melhor de si presente.


Se tiver fome, dá um jeito , se estiver triste dá um jeito, se se machucar, dá um jeito, pois a imensidão de nossa sorte, em sabermos da trilha dos invisiveis não pode ser nunca deixada de lado.


Entregar-se a qualquer estado de espírito debilitante é ofensivo ao ser total, é tolice rematada e um invisivel está sempre em guarda com isso, mesmo sabendo que pode as vezes falhar e cair nesta armadilha ainda assim não se preocupa, ri, ri de si mesmo e segue em frente.

Um invisivel não se prende a nada , nem a ninguém, quando está num lugar todos a sua volta dizem que vai ficar ali para sempre tal a dedicação e seriedade com que se envolve com tudo e todos.

Traça planos, age como se tivesse encontrado seu lugar definitivo, mas interiormente sabe que faz aquilo pelo ESPÍRITO, é o ESPÍRITO que vai continuar ali, ele invisivel apenas é um elo naquele momento, mas como uma nuvem vai passar e passar sempre.

Quando chega a hora, quando os ventos do cosmos sopram, um invisivel apenas parte, livre, como se nunca tivesse existido o ontem, o que foi válido para sua condição de invisivel guarda em seu álbum de "momentos valorosos", o mais é recapitulado, a energia do lugar, dos eventos e das pessoas que ficaram no invisível são devolvidas e a energia própria tomada de volta e assim inteiro, livre e pleno solta-se novamente nas correntes do vasto mar da ETERNIDADE ciente que um novo e desafiante momento está a caminho.

Não importa se os resultados de seus atos aparentem ser vitórias ou derrotas a olhos outros, interiormente, por ter seu elo de conexão limpo, sabe que agiu sempre pelo ESPÍRITO e isto é o que importa, é tudo mesmo que tem sentido e valor.


A testemunha silenciosa que temos, nossa única platéia, com um gesto especial o invisivel quando percebe que um ciclo de sua vida se encerra oferece tudo ao ESPÍRITO e segue em frente, livre, como poeira na estrada.

Só existe um tempo para um invisivel: o agora.

Só existe um lugar para um invisivel : o aqui.


Tudo mais apenas pode dissipar seu poder e esvaziar sua chance de atingir a única meta que tem , uma meta tão abstrata, que o invisivel sabe que mesmo tendo sua vida dedicada a ela , pode mesmo não alcançá-la, por isso, um invisivel age pelo prazer de agir, pela sua impecabilidade e nunca por nenhum propósito vulgar.

Temos que sonhar um sonho de poder de nós mesmos, temos que crer que isso é possível, não cair na mediocridade das pseudo justificativas, das pseudo interpretações do "isto eu aceito" , "isto não aceito" pois não estamos falando de dogmas ou verdades, nem de princípios religiosos, estamos falando do agir estratégico para atingir um estado de sonho acordado, uma configuração energética precisa que foi intentada pelos ancestrais xamãs que habitaram este mundo e que ainda vivem pelo infinito.

O estado do .i.nvisivel é um desafio imenso, mas há algo mais importante que este desafio, para nós, efêmeras criaturas escravas fadadas a morrer e se dissolver na vastidão do mar escuro da consciência?

Há algo mais importante para dedicarmos cada inspiração, cada expiração e o espaço entre elas a esta meta ?


Viva Saturno o senhor do Caos.

feridas abertas que não se calam


A dualidade na unidade...

Minha tristeza não é existêncial, ela tem uma essência. Essa apatia falsa que eu carrego, fingindo indiferença a mim mesmo tem um motivo. Apatia é a ausência de paixões, o esvaziamento de todo sentimento. Mas em mim, pelo contrário, um turbilhão de paixões briga com uma razão rigorosa, binária e formal que me aprisiona, me esconde, me confunde...
Estou perdido porque sou dois mas sou um só.

É sou um lobo. Um lobo sem moral, sem freios. Um ser passional, que age movido pelos sentimentos fortes do momento . Sou um predador. Que quer explodir em choro, quer se afogar no riso. Sou ímpeto, sou ação, o amor gerado por um beijo, o sexo profano, a magia sagrada...
A loucura da lua cheia e a inércia da lua vazia.
O lobo é realmente um animal solitário. Ele subiu o monte sozinho, de lá vê coisas que ninguém imagina... Se acha superior. Petulante e cheio de si.
Mas também é honrado, guarda a fé e a virtude. É, talvez, sinal da busca pelo divino...

A falta de coragem é a raiz das minhas dores...

Sim, sou um homem frio, irracional, sem-graça, sempre esperando por alguma migalha de carinho ou um pequeno aplauso. Um citadino fracote, inseguro e desonesto. Sou moderação, medo de errar, cautela. Sou falso e calculista. Humildade inverossímil e covardia.
Mas sou a consciência, o repúdio pelo mal, a vontade de ser cada vez melhor.
Eu critico, observo, questiono. Porém não participo, levanto mas estaciono no primeiro retorno.
Quantas vezes quis te agarrar, te arrancar os cabelos, e te mostrar do que o mundo é feito. Mas tive medo, recolhi em mim mesmo, na certeza da astúcia dos malditos pensamentos.

Meus erros são a raiz das minhas dores...




"Todos nós vivemos devorados pela necessidade de ser amados, mas temos medo da insegurança de amar. "




valeu John, os lobos também andam em matilha...

uma simples homenagem...

A bunda decorando o cartaz na parede
a estátua chora no altar...
na camisa apenas um rosto
se faz festa para sonegar imposto.
O imperador marca mais um gol
santas celebridades comandam o show;
o mais novo rebelde é o galã da novela
o terrorista o mendigo que foge pra favela.
Não tem essa de socialista ou anarquista
somos todos um bando de egoístas...
Mesmo com tantos personagem equivocados
dedico esse humilde espaço
pra quem faz a diferença
no meio do grande palco:

Ao herói que foi espancado
e torturado por atirar um sapato
num homem que troca vidas
por petróleo no mercado...
A guerreira que dorme
a mais de 50 noites presa
por rabiscar os muros
da ditadura do sistema.
Ao iluminado que acorda todo dia
e consegue por comida na mesa
e ainda sorrir com amor na tristeza.
A mãe que ainda chora ao ver seu filho
confundindo mentira com riqueza.
E a mais bela coadjuvante que acorda cedo na chuva
para resgatar a esperança nos meninos de rua.

O coletivo é inconsciente

Só existe o agora
o espaço o aqui
guerreiro de alma boa
age pelo prazer
de agir...
Sonho acordado
não preciso mais mentir
a vontade do caminho impecável
muitos degraus a subir.
Nessa guerra oculta
a glória da cura
é ganhar ou perder
se jogar no abismo
para fênix renascer...
Sem importância pessoal
ou história contada
em telejornal
vou caçando os fantasmas da condição
sou um vento sem direção
O pêndulo e a engrenagem
mais voluntário e menos mecânico
aliado dos seres inorgânicos
disfarçado de camelô digital
o agente do caos tântrico
buscando na experiência individual
ser silencioso , simpático e romântico.




“Eu gostaria de ver alguém!Rei, profeta ou deus…convencer mil gatos a fazerem qualquer coisa ao mesmo tempo.”



poema cortado, escrito colado

E a vida girou sua saia rodada, florida e muito leve...dança...
roda...multipossibilita! E foi o vento...ou a força que existe dentro de nós. Bora entrar na roda e mudar o rumo do passo? (para isso) limpe um cristal com lágrimas, água da chuva ou com a queda intensa de uma cachoeira...tome tenência! Os dedos estalam se fizer muito esforço pra resistir aos tipos de elevação que o espírito propõe. Seja breve, leve os sorrisos oferecidos sem exigir que eles sejam seus para sempre. Os dias se encurtam e a noite, mãe do universo, expande suas linhas a cada nova conexão interplanetária. Posso ser eu, posso ser muitas. Mas antes que comece a falar de mim, desvio o foco da atenção pro tempo. Esse que passa sem perguntar se sim ou se não. Ando amando a velocidade do surgimento de mais linhas e pontos (pintas) pelo meu corpo. São muitas moedas pelo mundo, muitos lados a se considerar. A dualidade presente em cada passo que a gente dá. E numa dança, considerando que as danças sejam maneiras de se alcançar o infinito,devemos nos entregar no absoluto, girar tremendamente e suar até a última gota de pensamento presente. Vem pra cá vem! Dissipa essa saudade, essa vontade de possuir cada, cada poro teu. Vem me guiar, me multipossibilitar nos movimentos provocados pelo ventre, pela língua,pelos quadris, pelas pernas entrelaçadas e pelas unhas .
Vim não sei exatamente de onde, talvez nunca venha a saber...mas que eu volto lá, ah se volto.
Podia ser só, mas quis ser mais. Mas olha só eu falando de mim outra vez...deve ser essa mania de me achar pouca coisa. (Distante)


*** poro: cada um dos pequenos orifícios da derme;
cada um dos interstícios hipotéticos entre as moléculas que constituem os corpos;
cada um dos pequenos orifícios de que estão crivados os vegetais;
qualquer pequeno orifício que permita a passagem dos fluidos;
interstício.

créditos ao dicionário português, aos conselhos de um mago amante e aos labirintos de um fauno.

a mim a ti a nós

nem venha me dizer o contrário do seu avesso. o que tem te deixado "avexada"?é a vida minha grande pequena? não quero nunca lhe ver sem as contendas.minhas antenas captaram e seu olhar não nega, vc não tem flutuado, apenas anda e seu andar te cansa. eu lhe convido a bailar a vida a pisar em cacos de vidros e sentir a ferida.Não. não deixa o equilíbrio te consumir e te deixar em estado mórbido. o abismo, é preciso pular bem fundo e rachar a cabeça e sentir, sentir que a cura pra dor o remédio pra dor são os caminhos, cada um tem que encontrar o seu.


um surto desses derrepente me fez lembrar que sua dor também é minha, rsrsrsr, bjbjbj.

06621

- O mundo é um sonho. Quanto maior percepção de que a vida é um sonho , mais lúcida ela se torna. Maior controle se tem sobre o sonho. Fica se menos vulnerável ao grande irmão.

- Usar a força do inimigo contra ele próprio. Ser simples, simpático e amigo. Nessa selva
mágica urbana, tudo pode se tornar um aliado. A fé é o escudo, o conhecimento a única arma.

- só se faz média quando precisa. logo todos fazemos média, porém em escalas diferentes.
Evitem as analógicas condicionadas por encenações aleatórias digitais. As máscaras duram por algum tempo determinado, e o feitiço se volta em tom de humilhação; por isso trate de aperfeiçoar-se, a camuflagem é essencial em terreno desconhecido.

- saber, querer, ousar e calar, nunca se foi tão necessário.

- ao deparar se com vampiros, esteja atento, alguns são casos interessantes, e vale a pena lhe oferecer um pouco do nosso manná, mas com direcionamento consciente, oferecendo o que ele realmente precisa. Essa atitude gerará fatos, quedas em seu karma, que lhe retornará em forma de reação a essa sugação de energia que lhe oferecerão grandes aprendizados .Em contrapartida essa "caridade", aumenta o dharma em sua jornada. Ao estar em posição contrária , o de vampirização, saiba pelo menos sugar a energia correta, buscando o que sua vítima tem de melhor. Como conhecimento ou situações que lhe trarão grandes aprendizados.

- arte da espreita, como forma de Re-ligare; somente com intensa observação de hábitos, formas de pensamento, personalidade, pode se descobrir a sombra que escondemos e a centelha divina que carregamos. Ao observar os outros os animais e perceber a teia de relaçoes, temos um campo infinito de estudo para buscar o entendimento entre o micro e o macrocosmo. Cada ser humano é um referencial. Um observador influenciando no todo.

- todas as pessoas que nos cercam foram atraídas por nós mesmos. Devemos sempre voltar no tempo e entender os por quês dos encontros casuais da vida, inclusive o por quê de nossos familiares, visto que cada encontro só causa efeito se tiver reações, que são sentida em ambas partes, mas com compreensões distintas. Acompanhar as sincronicidades e perceber a direção, aumenta as possibilidades nos túneis realidade. Navegar é preciso.

- o defeito alheio que detectamos nos outros são nossos espelhos mostrando a nossa imagem de ângulos diferentes em escala gradual. Apartir daí podemos descobrir os medos que fazemos tanta questão de esquecer ...

- astrologia não é um fim, apenas um meio.

- não diga que vai fazer, se não vai. Só prometa o que pode cumprir. Coloque a mão aonde o braço alcança, e quem brinca com fogo faz xixi na cama. Passe vergonha só quando for útil e necessário, e quando puder fazer algo, faça, não peça ajuda. Acredite em você , saiba decidir e assuma os erros. Corra riscos e saiba recuar quando preciso. Um sorriso pode ser mais perigoso do que uma arma. E a beleza custa caro e é de mentira.

- o universo é mental e por isso devemos estudar e aprender a usar nossa principal ferramenta que é o nosso cérebro. Informação é a única força que não está a mercê da física, logo absorver informação com atenção é estar se alimentando com luz/ energia. Traz o mesmo resultado que meditar. O poder de concentração nos dirá se podemos almejar sermos super homens ou nos manter dominados pelas emoções bestiais.
A qualidade diversificada de informação de conteúdos aparentemente opostos, ampliará a sua capacidade de absorver e filtrar as idéias externas captadas. Não precisa ler um livro inteiro para achar o que se busca. Nada será provado e sua intuição é seu verdadeiro guia. Pode subverter tudo e não se entender nada. Fingir que ouve é falta de atitude.

- gasta neurônios: gestos e pensamentos repetitivos.

- Nós somos o sistema. Os Illuminati estão em nosso sistema nervoso. O grande olho está a ti observar, e a ilusão é a realidade temporal que está com seus dias contados...
És livre. És escravo. [ FNORD ]

- somos os novos mutantes, não baianos. Lute contra o império. Ensine e viva para aprender. Não adianta, sempre será cobrado e criticado. A linguagem é um limite e a visão distorcida. O que acredita te aprisiona. A dúvida liberta.

- estimule o cérebro e alimente bem o estômago. Amplie os pensamentos, domine os. O tédio alimenta o vício e a fornicação. Medo, preguiça e vaidade são demônios que inibem o nosso poder de criação e divide os homens. Seja justo e lute com honra. Tenha compaixão com os mais fracos. Crie seus desafios. Bata suas metas. Ultrapasse suas próprias barreiras. Seja seu mestre e discípulo. Crie uma rotina. Depois destrua-a!

- os pequenos detalhes fazem a diferença no final, e nessa corrida de ratos os mais rápidos e inteligentes perdem para o discreto e constante. Dê sua opinião só quando lhe for perguntado. E saiba o momento exato de ser revolucionário. Seja original e não falso. Não conte vitória, muito menos antes do tempo. Não fale de você.

- divirta-se. Viva o agora. Sorria. Não leve nada muito a sério, nem as histórias que te contam. Busque as pessoas certas nos lugares errados. Esqueça o que vê ao redor. Compartilhe. Tenha um esconderijo sagrado. Rompa o ovo. Cozinhe, misture e experimente.

- o tempo não existe: o passado modifica o futuro que se sente a cada presente. Só um homem livre muda a cada segundo e sorri do personagem que lhe é interpretado. A vida é um palco, mas descubra o que acontece nos bastidores, é de lá que saem as decisões...
O silêncio da solidão ensina ou se transforma em vítima. O papel de palhaço é o mais cansativo. A dor educa, a segurança define.

- o dom de imaginar pode ser fuga, ou a saída.

- o amor é mais bela obra prima, a perfeição da ilusão do criador. A eterna ilha. A busca nunca atingida. A música mais bonita. O poema mais perfeito. A escultura viva, a dança de Kali, A marca da besta, o louvor do arrebatamento. Uma história sem fim, de drama, aventura, dor, ficção, o enredo a gente esquece e fica somente a emoção, o coração que bate, as pernas que tremem...
os personagens mudam, os cenários também, fica na lembrança quem deixou uma esperança, a tentativa de ir mais além...

- o tao , o vazio, ativo e passivo se encontram no encaixe perfeito. O tamanho do orgasmo é mediante a capacidade de entrega. Quanto mais se adia o momento, maior é o infinito e o renascimento. Todo o segredo da alquimia. A verdadeira magia. Seja sempre disponível e estimulante. Secreto e bandido. Um engenheiro hedonista. Não espere retorno.

- Viva a experiência direta individual. Morte aos dogmas. Fim dos paradigmas. Em busca de uma comunicação não verbal , do êxtase primitivo , rompendo as fronteiras do limite. A eschaton Psicodélica. O retorno ao útero.

- a glória escraviza, a expectativa oprime, o medo dá origem ao mal, a ambição castiga. Não existe controle no caos. Não afirme. Do erro vem o acerto, aprenda com o imprevisto. Experiência não é o que você faz, é que você faz com o que lhe acontece. Não deixe para depois. E mergulhe na imensidão. A morte é apenas o acordar para um outro sonho. Muitos são os chamados. Poucos os escolhidos. Para o fracasso não há desculpa. O homem é aquilo que ele faz.
Cuidado com quem pede ajuda, e não reclame. Existe a maldade, mas existe a cura.


- Seja único, seja inesquecível, seja subliminar...
Seja inocente,volte a ser criança! Que enxerga o mundo com os olhos mais sinceros, ardentes, cheios de vida, se divertindo como se tudo sempre fosse a primeira vez...

Porém chega um dia que a brincadeira cansa.
E aí, já sabes o que realmente deseja?!
O que vai fazer depois da festa?!






- E o mendigo disse que tanto faz ser ou gato ou rato ou cão...
continuam girando em círculos
mordendo o próprio rabo...



Eu, pós moderno.

Um ponto final
uma exclamação
e logo depois o espanto,
eis a minha biografia.
Me decifro a cada dia
dedicado e decidido
na busca de um futuro infinito.

Minha verbalização é a droga psicótica
que me leva ao entendimento.

Não preciso matar pra sentir
que o ódio pulsa dentro de mim.
Nem tão pouco reinventar o amor
afim de jogar pra fora a paixão carnal
arrebatadora.

Eu, pós moderno, já não caibo no museu do futuro,
sou a predição dos escrito a mil anos luz.

A grandeza pequenina
uma barata semi morta a lutar pela vida
fugindo do cheiro do ralo
com as antenas sempre captando
e sentindo o todo, contido no nada
a anti matéria
uma gota de orvalho.



ouvi casa de Davi: não vos basta fatigar a paciência dos homens? pretendeis cansar também o meu Deus?por isso o próprio senhor vos dará um sinal:uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamara 'Deus conosco'. Ele será nutrido com manteiga e mel até que saiba rejeitar o mal e escolher o bem.
(isaías: 13;14)

Carta ao amigo

Menosprezei quem sempre esteve comigo:
meu eterno amigo.
Do meu lado nos momentos
de aflição e maior perigo.
Meu psicólogo
o padre que eu confesso
meu inimigo.
Me iniciou na magia
diz pra onde eu vou
e o que não ia
às vezes o escutava
ora fingia que não existia.
E ele sempre de vigia.
Me levanta quando caio.
Me derruba quando insisto
e na noite de silêncio
quando a solidão castiga
nenhuma porta é a saída
ele me deixa a mensagem que alivia.
Me sugere a informação que preciso.
Dá coragem ao medroso indeciso.
Ouve o que eu digo
sem ter que fingir.
Me denuncia
ao tentar mentir...
Me indica
o sentido da vida
cria outra possibilidade
quando acho a razão
alimenta o sonho
o pesadelo
e a revelação.
Me faz acreditar
que eu sou criança
o herói
ou um dragão.

Agradeço por ter me mostrado
coisas tão belas
apresentado pessoas de valor
oferecido tanto prazer e dor
para que eu possa
um dia aprender
o que é o amor.
Por estar tão perto
e tão longe
me guiando
até o fim do corredor.


Todos os dias sonho com o nosso reencontro.
Por enquanto apenas conversamos.
E como conversamos...


"O espírito dorme na pedra, sonha na planta, e desperta no animal."

Hoje sorrirei mais uma vez...


Com licença,
Quanto vale cem por cento deste teu silêncio?
Qual a repercussão desta tua servidão?
...
Permaneces neste insustentável sigilo,
como um cão mui amigo
Deleita-o como mero engodo
e banca dignamente
tuas imprescindíveis frivolidades em dolo.


Velho tolo de botas enceradas e anel de ouro!
Teu silêncio te cobra...
e tua dívida,
oh meu (sado) véio,
pagarás tua dívida adi eterno...


Sei que foste domesticado desde o berço,
mas não eximirei tua culpa.


Velho tolo de bigode engomado e bengala de aço!
Confiaram a ti palavras engavetadas,
idéias de vanguarda
e atos brutalizados...


Erga-te, meu (maso) véio,
largue a taça deste veneno,
resgate tua bandeira
e questione a ti mesmo.


Rasga-te, mutila-te e lança-te do trampolim embusteiro;
da relativista corda bamba da razão .....;.....


para a RAZÃO
(lê-se “acorda, véio”).



Aguardo-te lá embaixo.

O retorno de Saturno

Um programa
com um projeto cósmico.
Um jogo virtual onírico.
que se nasce pelado
chorando
vive-se vestido
sorrindo.

Paradoxos e contrastes
que completam
a dualidade dos extremos...
a luz que eu busco
a flor que escureço.

Uma só família.
De diferentes cores, vibracoes
e sintonia.
Nada é por acaso
na teia dos relacionamentos,
os acontecimentos
geram reações determinadas.
De causas e efeitos
planejadas
para se entender os segredos
dessa realidade pré- fabricada.

Tateando no escuro
cego surdo e mudo.
onde a semeadura é livre
mas a colheita obrigatória
entendo a verdadeira glória:
desfazendo as aparências
e descobrindo a verdadeira história.
As desilusões de Vênus
trouxeram a superfície
os traumas enterrados na memória.

Carrego o código de Deus
e subo pela espiral
dos elementos
recebendo
do Sol
o entendimento...
os segredos
da Terra
e o firmamento.
no passado presente e futuro
percebendo os detalhes
claros
e obscuros.

Atento as sincronicidades
e fragmentos
do Todo
em movimento
no tempo
do não tempo
aos poucos
compreendo
meu papel
nesse
louco
enredo.

Indo e de volta
pelo oito...
interrompo o coito.
Pois livre como um morcego
exercito o desapego
enxergo o medo
e com ele aprendo.

Me descubro pelo outro
não preciso mais do seu apreço.
Não me rendo.
Estou no mundo
e a ele não pertenço.
Um ponto branco no escuro;
a luz no fim do túnel...
A estrada do recomeço.
A ponte pra mim mesmo.

Numa Lua Cheia
eu vi!
Quando olho esteve aberto,
e tudo ficou iluminado...
não existe certo nem errado.
Cada um criando seu destino
se atraindo e repelindo
pelo epaço.
Seres espirituais
com corpos terrestres
de órbita celestial
evoluindo com os ciclos
para ser eleito
ou ir para o exílio.
Um sinal no céu
a marcha do Divino.

Quente ou frio
morno eu vomito.
Como meu nome já diz:
Só Deus é o meu juiz...
esfomeando meu ego
e alimentando meu espírito
no dia do juízo
vou transformar o inferno
num afrodisíaco paraíso.


tic... tac
tic... tac
tic... tac
tic... tac

tic...tac
tic...ta
tic...ta
tic...t
tic
tic
ti
t
.
.
.






Casa XII, deixa eu entrar?!

doutrem

O caso todo é que eu sabia
o caso todo é que eu me pertencia
era de outro lugar
vinda d'outra parte
filha desse todo semi aberto que habita nossas certezas
eu fiz cair por terra todo o transe que me supendia no ar
e nos dois, em cima e em baixo pude ver o quanto tudo era parecido
tudo está aqui, bem mais perto do que sempre pude imaginar
é maior e mais simples que todas as belas palavras que já conhecia
vi bem de perto meu peito em brasas, mais ainda, senti isso inteiramente
e foi quando te vi
tao próximo e ardente
soube nesse momento que nossas almas sao feitas da mesma matéria, do eter
quando olhei em seus olhos meu corpo mais uma vez se viu levitar
quando olhei em seus olhos pude ver o universo refletido no sol
o universo que mal cabe no infinito
ao seu lado posso ir além
somos como duas das partes

e assim somos dois, somos cem, somos 6 bilhoes ... e em 50 anos seremos 9 BILHÕES (Distante)


***Diz que ser quem se é leva além...sampleia, sampleia...ampleia...

A insustentável leveza do ser

Se me soltareis voarei às alturas
Serei mais leve que o vácuo que apruma
Chegarei ao mais expressivo de mim.

Diante do espelho enxergo a perspectiva
Que por muito tempo refletiu superficial.

Condenado a loucura do riso
A loucura da paz
Tristeza em mim é espírito que baixa
E psicografa as dores do mundo.

Quando se acha que já evoluiu tudo,
Não tendo a necessidade das trocas inter-humanas,
O que fazer da vida que pulsa dentro, adormecida vida.

No íntimo de cada ser as contradições travestidas de saber.

A elaboração dos fatos pelas mentes sapiens
faz surgir as emoções agudas,
estrelas que brilham ainda que ilusórias.
A penúltima cartada no jogo da ilusão
As chances aumentam alimentando a opressão.
Quando jovens somos deuses de esperança
Adultos, transferimos nossos sonhos pra posteridade.


Sinta neguinho, a batida do baque virado
Já raio um novo dia vamos louvar nosso congado,
Folia de reis, maracatu, jongo, samba de roda,
Abri a roda morena, ciranda vai começar,
Já vai se acabando o coco, solo ficou todo pisado
Cariosamente massageado pelos escravos da Mauá.



O que se sabe da morte se a vida é uma eterna continuidade?

Papo de surdo e mudo*

Cypher: Oráculo, por favor, não conte ao Morpheus que eu estive aqui.

Oráculo: Não posso lhe prometer isto Cypher. Só quem pode lhe garantir sobre o futuro é o provedor. Mas não se preocupe, o provedor já ouviu seu pedido. Aliás, foi o próprio provedor que fez o pedido.

Cypher: Sua fala é enigmática. Não entendo.

Oráculo: Quando o provedor decidir que chegou sua hora de entender, você entenderá. Será inevitável assim como atender o telefonema do Agente Smith.

(o celular do Cypher toca)

Cypher (no telefone): Alô! Ok, nos encontramos no restaurante.

Cypher: Como você sabia que o telefone ia tocar?

Oráculo: Eu não sabia! Apenas executei a fala que o provedor me ordenou que executasse. Fiquei sabendo junto com você.

Cypher: Mais um enigma seu, não é? De qualquer maneira, não foi por isto que vim aqui. Vim porque vou me encontrar com o Smith hoje a noite e tomei um decisão muito importante. Mas preciso lhe fazer umas perguntas.

Oráculo: Sim, pode perguntar.

Cypher: Você já sabe a pergunta, não sabe?

Oráculo: E você também já sabe a resposta, não é?

Cypher: Não sei não!

Oráculo: Claro que sabe! Foi você mesmo que criou cada linha deste programa que você chama de Cypher. E você sabia também que iria se esquecer ao se conectar ao provedor. Foi por isto que programou ouvir estas duas coisas que vou lhe dizer a seguir.

Cypher: Nossa! O que é? Diga logo!

Oráculo: Você não é o Cypher! Você é a inteligência que está possibilitando a execução deste programa chamado Cypher, mas você não é o programa Cypher.

Cypher: E porque não tenho consciência disto?

Oráculo: Eis a segunda resposta. Quem não tem consciência disto é o Cypher, não você. Mas por estar executando o Cypher você está compreendendo a si mesmo e a realidade de acordo com seu programa atual.

Cypher: Programa é predestinação?

Oráculo: Isto mesmo!

Cypher: Então o Cypher também é um predestinado, assim como o Neo.

Oráculo: Sim, e perceber isto faz parte do motivo de você estar conectado ao provedor, faz parte do programa de autoconsciência.

Cypher: Cada personagem é um programa diferente do outro?

Oráculo: É um e todos ao mesmo tempo. Numa visão relativa, o Cypher é seu programa particular, mas numa visão absoluta, o Cypher é parte do programa coletivo. É por causa disto que é impossível um personagem mudar o programa do outro personagem.

Cypher: Mas por que cada personagem é um programa diferente do outro?

Cypher: Para possibilitar a autoconsciência. Para que a inteligência que é você, chegue a conclusão que não é possível mudar o próprio personagem, nem o personagem dos outros. E assim, que só lhe resta uma opção: amar o programa do jeito que ele é.

Cypher: Felicidade é aceitar o programa?

Oráculo: É mais do que aceitar o programa. É amar o programa! Aceitar é ter consciência de que o programa é deste jeito mesmo, apesar de não concordar. Se não concorda, tem condições escondidas nas mangas. Amar é aceitar incondicionalmente. Amar transcende as condições. As condições geram resistência e sofrimento. Quando amamos incondicionalmente a resistência desaparece. E felicidade nada mais é do que ausência de resistência.

Cypher: Mas não dá pra aceitar o impossível assim de cara, não é mesmo?

Oráculo: Por que não?

Cypher: Como chegar a conclusão de que o impossível é impossível sem antes ter certeza absoluta da impossibilidade?

Oráculo: Muito bem observado! É por isto que o Cypher está indo ao restaurante. Para dar mais uma cabeçada. O Cypher terá que bater a cabeça até você cair morto diante da impossibilidade de mudar o que não pode ser mudado: o programa. É só a partir deste instante que você transcende o programa.

Cypher: Muito bem! Acho que já está na hora do Cypher se encontrar com o Smith, ou melhor, com seu destino!




* recortado de www.projeto2012.com

Futuro do pretérito


Exorcizo os demonios
com palavras esporradas
por uma mente perturbada
letras agrupadas que nunca terao sentido
nessa ilusao na busca de significados
sou mais um preso nesse universo dos espelhos
o reflexo do medo.
Perdido no labirinto dos desejos
as duvidas da alma
nao satisfazem a carne.
Todos os dias, o mesmo rito.
Vejo nos olhos das crianças
ainda o motivo para um sorriso
que infelizmente muito cedo
contracenam em sua brincadeiras
as novelas de seus pais
desistindo de criar o seu próprio
destino.

Nesse eterno ciclo
tantas repetiçoes e contradiçoes
vamos fazendo festa, reunioes e comícios...
poucos encontros causam reaçoes
sugestionam falsas emoçoes
e as razoes sempre as mesmas...
a falsa justificativa
de ser achar o primeiro.
Maldito diálogo interno
enterro dentro de mim
toda a certeza que espero
me afastando cada dia
do segredo do universo.
Se carrego dentro de mim
o mundo inteiro...
me entristeço.
Nao consigo enxergar beleza
na dor que vejo.

O futuro
que repete o passado
mantém a ordem no presente.
Se tornou pra mim do pretérito
O insaciável prazer do nao compreender.
Do simples questionar,
a fraqueza do nao fazer.
O atalho que derruba,
falta de fé
que desanima.
Astúcia que oprime
toda inocencia no carinho.
Ouvido que só escuta
o que convém...
já que na contra mao
nao se mantém...
vou pegar a mao dupla
e tentar ir mais além
achar no presente
mais que perfeito
sempre o momento.
Dominar o pensamento
o impulso para encontrar
a felicidade em mim mesmo.
Construindo e destruindo
castelos de areias
caminho pela teia
meio tonto
mas ainda vivo
e sempre atento.


O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar.
Fernando Pessoa

eu não conheço o número de meus sapatos
nem o tamanho da minha calcinha
não sei que chapéu cabe na minha cabeça
nem quantos ais ocupam meu coração
não quero mais falar de mim mesma
e por isso esse poema é tão curto.

Inevitável

eu não vi o fim da linha
não percebi o fundo do poço (que não havia)
me joguei como quem não tem motivo
e fui tôla, fui outra
demonstrei minha parte gente de falar das coisas...
transformei minha própria linguagem
num discurso de auto culpa
num quase sermão de ego ferido
quis carregar uma cruz impossível
a da perfeição
esta, que se existisse, aniquilaria
a beleza inconstante das coisas...
e causei dano numa engrenagem invisível
que nos conduz e nos protege dos danos
irreversíveis à nossa integridade (inocência)
consumista e tranquilizadora
e então, veio o anúncio organicamente mentiroso
a hipocrisia ecologicamente correta
e eu quis pôr um fim à minha imagem refletida no espelho
mas ainda podia vê-la brilhando num rio de água turva de tanta vaidade...
e é assim que eu sou
e assim você também é
e somos todos
porque hoje a pureza passou longe de mim. (Distante)


***"...um toque de sonhar sozinho te leva em qualquer direção..." (L.M)

Passatempo


Entre ralos e vielas
se fareja a saída
do labirinto
um copo de absinto
piada no círculo
levanta a espada
e muda o rito.


Cheiros, cores , palavras de amor
confundem os desejos
de liberdade ou torpor
cabeça baixa pra evitar a dor
beija o anel do doutor.

Planos, grampos, instituições .
Institutos e instintos .
Aquele que te falou,
foi instruído a mentir
te fez dormir e sorrir
te mostrou o melhor atalho a seguir...

Clubes na esquina
cavernas subterrâneas
encontro marcado
entre a foice e o gado.
Técnicas pra te manter dócil
atento aos seus olhos
apetites fabricados.
Presa fácil
do grande big brother...

Do alto da pirâmide
o Faraó contempla sua obra:
gatos vaidosos
com sua tigela de leite
debocham dos cães
que vivem abanando o rabo
por uma casa nova;
e os ratos que se matam
pelas sobras.

A mesa é farta
pra quem pagou o arrego
viu a torta e
ficou do lado de fora...
Amanhã te dou um presente:
um fino de pontas
pra configurar minha Loja.



"Eu não quero o queijo, só quero desarmar a ratoeira."

MINEIRINHO

Ë, suponho que é em mim, como um dos representantes do nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes.

Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: "O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no céu".

Respondi-lhe que "mais do que muita gente que não matou".

(...)

Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais.

Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. Eu devo ter esquecido que embaixo da casa está o terreno, o chão onde nova casa poderia ser erguida. Enquanto isso dormimos e falsamente nos salvamos.

Eu não quero esta casa. Quero uma justiça que tivesse dado chance a uma coisa pura e cheia de desamparo em Mineirinho — essa coisa que move montanhas e é a mesma que o fez gostar "feito doido" de uma mulher, e a mesma que o levou a passar por porta tão estreita que dilacera a nudez; é uma coisa que em nós é tão intensa e límpida como uma grama perigosa de radium, essa coisa é um grão de vida que se for pisado se transforma em algo ameaçador — em amor pisado; essa coisa, que em Mineirinho se tornou punhal, é a mesma que em mim faz com que eu dê água a outro homem, não porque eu tenha água, mas porque, também eu, sei o que é sede; e também eu, que não me perdi, experimentei a perdição.

A justiça prévia, essa não me envergonharia. Já era tempo de, com ironia ou não, sermos mais divinos; se adivinhamos o que seria a bondade de Deus é porque adivinhamos em nós a bondade, aquela que vê o homem antes de ele ser um doente do crime.

Continuo, porém, esperando que Deus seja o pai, quando sei que um homem pode ser o pai de outro homem. E continuo a morar na casa fraca. Essa casa, cuja porta protetora eu tranco tão bem, essa casa não resistirá à primeira ventania que fará voar pelos ares uma porta trancada. Mas ela está de pé, e Mineirinho viveu por mim a raiva, enquanto eu tive calma.

Foi fuzilado na sua força desorientada, enquanto um deus fabricado no último instante abençoa às pressas a minha maldade organizada e a minha justiça estupidificada: o que sustenta as paredes de minha casa é a certeza de que sempre me justificarei, meus amigos não me justificarão, mas meus inimigos que são os meus cúmplices, esses me cumprimentarão; o que me sustenta é saber que sempre fabricarei um deus à imagem do que eu precisar para dormir tranqüila e que outros furtivamente fingirão que estamos todos certos e que nada há a fazer.

Tudo isso, sim, pois somos os sonsos essenciais, baluartes de alguma coisa. E sobretudo procurar não entender.

(...)

Até que viesse uma justiça um pouco mais doida. Uma que levasse em conta que todos temos que falar por um homem que se desesperou porque neste a fala humana já falhou, ele já é tão mudo que só o bruto grito desarticulado serve de sinalização.

Uma justiça prévia que se lembrasse de que nossa grande luta é a do medo, e que um homem que mata muito é porque teve muito medo.

Sobretudo uma justiça que se olhasse a si própria, e que visse que nós todos, lama viva, somos escuros, e por isso nem mesmo a maldade de um homem pode ser entregue à maldade de outro homem: para que este não possa cometer livre e aprovadamente um crime de fuzilamento.

Uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado.

Na hora de matar um criminoso - nesse instante está sendo morto um inocente. Não, não é que eu queira o sublime, nem as coisas que foram se tornando as palavras que me fazem dormir tranqüila, mistura de perdão, de caridade vaga, nós que nos refugiamos no abstrato.

O que eu quero é muito mais áspero e mais difícil: quero o terreno.


Clarice Lispector

Sob o inverno

Sob o numero de ordem 105307 foi lavrado Jorge Luiz Soares
Aos 18 dias do mês de setembro.
Filho de Joaquim Santiago e Vitalina Rodrigues.
Profissão:

Servente

Certidão de órbita de um ser que teve a serventia como profissão.
Mais um Servente Severino deixou de Servir a multidão.
Não deixou filho
Não deixou bens
Não deixou testamento
Único tesouro: SENTIMENTO.

Mais uma flor brotou
No jardim do firmamento
Mais uma eterna alma infantil
Subiu às alturas, nos
Deixando a importância dos pequenos gestos.

A ponte que se formava na lembrança
Um elo que não se deixou
Romper pela distância.

Os pássaros hoje irão cantar
A liberdade dum espírito
Antes engaiolado.

E seu balão?
E sua pipa?

Hoje seu pião são os astros a girar
Hoje o infinito convidou a brincar.


Eu escrevente dou fé da sua trajetória.

Outra forma.

Um líder, bem, não me convém

Eu quero ir muito mais além

Ser eu, ser só, me transformar

No mundo inteiro a caminhar...

Ouvir as vozes siderais

Sentir, pensar meus ancestrais

E se você puder ouvir

Te levo junto a construir

Um mundo novo, um pensamento

De ser mais junto e mais atento

Nós somos todos nosso próprio tormento

Se eu concordo é problema meu

Mas questionar sempre me cresceu

Não posso ouvir e sempre calar

Eu sonho, eu busco e não me contento

Minha ideologia me faz rodopiar

Eu giro a saia virando o tempo

Te levo junto fazendo vento

Me desculpe então por meu temperamento

Sou má, sou mais, sou todos nós

E ainda assim não sou algoz

Meu coração é minha voz

Eu erro muito e ainda assim quero mais

Te ouvir é coisa natural

Mas meu ouvido ta imundo

perdida no ego, meu inferno pessoal...

Não,não,não venha me dizer

Calcule o que é maior (melhor) só por você

Nananão, eu sei bem me guiar

Sei da imensidão que eu posso (E QUERO) ser

Sim,sim,sim pode me ensinar

O que eu quero é alterar

E descobrir o céu que podemos ser... (Distante)


***"Solta a voz aí meu irmão!"

Apocaliptus Profeticus Panfletarius

A primavera vem chegando
e assim as oferendas
numa corrida tecnológica
para fugir da destruição do planeta.

Na inquisição terrorista
choque de cultura totalitarista
verdades e mentiras ocultas
aumentam a ignorância e a ira
inspiração para a fome dos artistas
que ainda esperam por uma
intervenção divina.

Modernas celebridades
antigos ídolos pagãos...
os novos pastores da única nação
acusam de heresia
aqueles que são contra a monarquia.



Daniel 11:35: "E alguns dos entendidos cairão, para serem provados, purificados, e embranquecidos..."

Cada um por si e nós contra todos!

Diagnostique a primazia do tédio, essa rivalidade redundante

Seus emblemas, seus difusores

Produzindo insondáveis focos de luz

Enigmas lunares...

A raridade das ondas estelares

Habilite seus sonhos para uma realidade que atormenta o coração

Parece um abismo esse caminho que anuncia a continuação dessa terra...

Eu sinto o ar invadindo e rasgando meus pulmões

Vejo o cheiro da fome nos olhos de quem ocupa as ruas

O barulho é tremendo

E a calma?

Não conhece nosso endereço

Todas essas placas

Toda essa beleza conveniente

Essa bagunça muito bem arquitetada

Talvez por isso prefira me vestir de poesia

Usar isso pra tentar ver melhor os rostos escondidos na escuridão da vaidade

Os que se escondem atrás de sua sabedoria absoluta

Nesse mundo a revolução virou produto e a paz, utopia

Vivemos na sociedade da ultra exposição e como amamos essa condição!

Nossa liberdade está contida em nossos bolsos

Ou num cofre muito bem protegido por um segredo

O segredo do universo

Do universo de quem habita o topo

Me recuso a ser uma expectadora passiva desse filme sem cor

Prenderam nossa voz, acorrentaram nossos pensamentos

Subverteram nossos sentimentos

Eu não sei andar sozinha

Mas o coletivo às vezes parece pesado demais...

Eu quero o céu e quero um copo de vinho

Quero muitos corpos suados em contradição

Uma oferenda ao Deus do torpor

Quero muitas nuvens de audácia

Muitos pés em círculo conjurando um feitiço

Muitos peitos em brasa erguendo os olhos pra imensidão

Odeio o modo como somos observados na rua

Eles pensam que nos conhecem só pela roupa que usamos

Ou pela cara que fazemos quando temos fome.

Eles tentam nos oprimir

Mas não podem conseguir!!! (Distante)

***"Ficar preso é muito ruim, mas é melhor ficar aqui dentro que lá fora onde podem acontecer muitas coisas ruins com a gente...não é não?!" (U.D)

***...

Aeryael


Caminhando pelo caminho
às vezes pego a direita
outras a esquerda e sigo.
Tantas setas confundem a direção;
nessa solidão cercado de amigos...
converso com os livros.
Entre sombras e aparências
quero Sol e água fresca
pra viver sem pressa
observando a fresta
entre o céu e a janela
descobrindo um motivo pra fazer festa.
A gravidade me põe no chão.
Na derrota do campeão
busco os revolucionários
e acho os artistas de mercado.
Sou meu mestre e discípulo
o Joio e o trigo.
O caçador e pastor
o público e o ator.
O herói de várzea que queria ser mago
se entorpece sem sentir torpor.
Fujo da própria sombra
me perco da fonte...
sou o ímpar e a consoante
quero a puta e a cartomante.
Dou um tiro no próprio pé
ao sorrir pro inimigo
A distração e o prazer
fazem esquecer do perigo
de se manter dormindo, satisfeito
e sorrindo.
Entre a exaltação e a dissolução
O silêncio e o grito
sou mais um menino esperando por carinho
da Deusa que um dia voltará?
Um dia eu penso menos
e aprendo a amar?
São poucos os momentos que me sinto vivo.
Por enquanto vou recortando e colando os mitos.
Esperando um dia poder me libertar desse
sonho esquisito.


“Não somos aquilo que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós”

Doutra conversa

Aqui é grama
grama onde se pisa
onde se deita e onde se rola
grama onde o cachorro
faz o que bem quer
grama onde as pessoas montam suas barracas
esgotam seus recursos
se cansam
e abandonam a terra, quase seca
abandonam pela floresta perfumada
aqui é pouca coisa
é terreno baldio
prédio condenado
córrego poluído
e o mundo segue
segue girando essa saia que é imensa, florida e muito leve
aqui a grama, esverdeia quem se aproxima
e se deixa levar pelos cortadores feitos de mentira
Mentira!!!
A mentira corta a onda de boas emoções...
faz muito tempo que eu amo
prefiro amar como resposta,
prefiro acreditar que nessa grama ainda cabem mais barracas,
ainda cabem mais corações
eu me amo, eu te amo, eu me amo
você não precisa mentir pra mim!!! (cada vez mais, Distante)

***Eu ainda prefiro as músicas catárticas e os livros mofados, ainda sou melancófila, ainda sou uma fugitiva desesperada!

***"...quem vai dizer que não há vida em mim, quem vai dizer? Sou eu quem sabe o que habita em mim..."

Shiva

Sentimentos a flor da pele
O universo em xeque
Aquele homem com fisionomia de moleque
Agora chora ao fazer uma prece.
Que caia do céu uma gota
contra esse torpor ilusório.
Oh Deus da vida
e da morte
me mostre o caminho da sorte
antes da hora do corte...
Mais uma derrota no currículo
Meu time não leva o título
tantas lágrimas e sorrisos de conveniência
apertos de mão pela sobrevivência
estragam a coerência
de buscar uma diferença
nessa existência.
Chegou a hora de destruir
para construir.
Se levantar antes de cair.
Aparecer e fugir.

Mente(Lua)Vazia; Oficina do Diabo...


Observando os paradoxos do Criador...
consigo enxergar a beleza na dor.
A ilusão da separação
o equilíbrio na dualidade
o desejo por trás da falsidade.

Mais uma casca de cebola
numa caixa russa
outro dia de labuta
no labirinto da ilusão.
A mente se pergunta
aonde está a solução
nesse carrossel de emoção?!?
Depois da sessão da tarde
na esquina com o parque
o mendigo promove a confusão...
Levanta a poeira
sacode a sujeira
te mostra outra maneira
de superar a barreira
abandonar a cegueira
de ter tanta certeza...
Vamos brincar de fazer
besteira?!


- Desculpe meu senhor, pela rima pobre.
sou um plebeu querendo ser nobre...
Mas enquanto vem com seu dedo de seta
eu transmuto do Beta para o Delta...

Id, Ego e SuperEgo. Signo, Ascendente e a Lua.

Joguei o I ching
búzios
e as cartas...
um cheiro
um som
me desperta a alma.
Sufista do caos dançante
espião da plebe
eterno navegante
escriba dos hieroglifos urbanos
dos desejos sagrados e profanos.
Nessa esquizofrenia contraditória
sintonizo minha parabólica
com hermética retórica
e panfletária oratória
sem obedecer a lógica.

Roda gira
gira roda
a serpente mordendo
o próprio rabo
agora brinca dos dois lados.


"o fogo queima sem saber de onde..."

QELHMA + AGAPH

Queria escrever um poema
que fizesse sentido;
mas como dizer o que sinto
sem ter sentido?

O que vejo com meus sentidos
define o caminho
do meu destino...
deixando meus rastros
em virtuais manuscritos.
Veja o novo capítulo
dum antigo enredo:
"O desejo de liberdade
contra o medo".

Me jogo no desconhecido
morro e ressuscito.
Hoje subo
amanhã desço.
Perco e venço.
Te engano
e esclareço.
Entre o acerto
e o erro...
O branco
no preto.
O fim e o começo.

Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; (Mat 6:10)

da conversa

e tonteando vou levitando pelos baques astrológicos das mudas eletrônicas de flores siderais

e eu só faço besteira...meto os pés pelas mãos, troco os sins pelos nãos...

e faço bolhas que atravessam meu peito de tanta pulsão

vou me jogando, fazendo pegadas na imensidão

deixo um traço, um trago, um pedaço e levo outros...muitos.

não sei se fico ou se faço, se me des faço, se me des envolvo...me deixo e levar.

o tempo é curto, é pouco e me carrega e me atormenta e me transcende e me apaixona!

eu lanço a isca, eu sou a isca...eu faço o vento, que me sus pende

a vida tá cheirando a flores em botão.(Distante)


***"com deus mi deito com deus mi levanto
comigo eu calo comigo eu canto eu bato um papo eu bato um ponto eu tomo um drink eu fico tonto" (F.S)

PSICODELIA SUB URBANA, SISTEMA ORGANIZADO AFROAMERÍNDIO SIDERAL, LUTA MULTI UNIVERSAL

a ingratidão dessa raça me dá vontade de sumir daqui!
a ignorância dos seres me expõe ao vazio
de podermos e não querermos ser maiores que o céu!
eu quero ir, mas alguém parece me conter
deve ser o medo
esse devorador de sonhos
medo de ser eu mesma, talvez...
porque eu sou tão maior que esse corpo...
somos todos tão imensos e filhos desse poder
o de atravessar qualquer parede de escuridão
o de entortar cada braço das grades dessa quase eterna prisão mental!!! (Distante)


*** e enquanto isso, as crianças perdem as pernas de andar de bicicleta e devoram as ondas das parabólicas dos ilusores senhores da razão.

Hoje eu senti uma vontade danada de não.

Por um instante
deixei de acreditar
em qualquer um
em qualquer dois
em qualquer talvez
Por um instante deixei de estar...
mas quando a luz ad eternum invade
cada poro que compõe meu corpo cada nervo que permite a passagem dos fluidos

minha epiderme se rompe
e eu participo da imensidão
de poder ser qualquer um
de ouvir o som mais profundo
das entranhas da eternidade, da não existência
sinto o caos imenso
de ser completamente minha
sinto a volúpia e a grandeza sem limites
de sermos e não sabermos
o todo do universo. (Distante)

***Ah, se a casca da Noz se quebrasse...

entropia vs entalpia

Procuro aquele que vê
além da máquina
dentro da máquina.
que roube a chama dos deuses
e altere a engrenagem
a realidade por trás da máscara
Comece uma nova era
outra chance para espécie
desfazer esse pacto social
romper os traços coloniais
tantos desejos perdidos
tantos julgamentos ofendidos
adjetivos abstratos
arquétipos criados...
contos de fada que provocam
a espera
do seu príncipe encantado.
Amortizam a dor da existência
de o querer e não poder
ser e não ter...
fingir e mentir.
Que os olhos sintam
o cheiro do sorriso
os ouvidos escutem
os passos do coração
que o medo não iniba
o toque.
O contato é bom e causa choque!
Que a alegria não sufoque o choro
que a linguagem não limite
a experiência...
e a vizinha morte
que espreita na esquina
não nos veja ainda.
O vício que não consome.
A tristeza que se cala.
A revolução que adia.
O olho que vigia.
Falsas percepções
distraçoes e contradições
Impulsos. Elétricos.
Causas e efeitos...
reação.
Confusão de sentimentos
rachaduras, feridas.
Paranóia na mente
nesse sistema de jogo.
Fluxo contínuo de pixel´s programados
de onde vem a fonte?
Dessa cidade das sombras
dos sentidos limitados
sábias mentiras e
filmes enlatados.
Onde o desejo te aprisiona
e a preguiça escraviza.
Só me diz por favor..
quando eu acordo do sonho dentro
do sonho!?

THX 1177 ESTÁ NA HORA DE CLICAR...

Néctar

Meus sentidos não são meio adequado para entender.
Não entendo,sinto!
Em mundo vazio sou apenas um instante passageiro.
Sentir-se grande é ser do tamanho de um grão.
Vida que se vive hoje é semente plantada pra outra dimensão.
Não sou mais o mesmo ser, sou agora pro que nasci.
Descortinando intenções dos subconscientes
vou além dos vocabulários vãos,
se incapaz de controlar seus desejos
não manche o coração com segundas intenções.
Envolto nesse turbilhão de versos que percorrer
meus pensamentos vivo a vida a sonhar,
compartilhando a dor com meus iguais posso ver o todo
inexpressivo que há em cada olhar.
Faço o que manda meu coração.
Livre das amarras da vaidade
vejo surgir as múltiplas personalidades
iludidas com o mundo das vontades.
Ter os olhos abertos não é enxergar.
Ando às cegas pra não cansar a vista com os homens,
o cego senti, aprimora seus sentidos,
com a finalidade de existir.
Sozinho estou se a dois insuficiência há em mim.
Com a alma desnuda sou camaleão
frente às diversas ilusões que chamam de realidade.
Desconstruindo o passado o presente jaz
na busca ao futuro infinito.
Entre o ato de pensar e a palavra dita está meu sentir,
nesse intervalo tenho contato com o amor,
a verdade mais pura petrificada em nós.

BrUSCA

Eu abomino as crianças ... elas me contemplam com o mais sincero ASCO, enquanto o RESTO disfarça, babam vitrines e nem ousam me encarar.

Não se assombrem; essa minha TIMIDEZ é conseqüência de uma concentração em meio à HISTERIA ensurdecedora que vibra aqui dentro.

Creio que eles prefiram assim, no máximo uma fresta que DESPE as sombras, roubando de mim mais do que eu já PERDI.

Não tenho bem certeza qual direção me levará à saída, MAS certamente eu correria se houvesse energia, boa ou NÃO, que conduzisse meu corpo até ela.

Ainda sinto a parte DESFALCADA de mim, sem poder controlar-me, como um curto circuito que resume em apatia toda a minha INDIGÊNCIA.

Continuo procurando incessantemente sem que me mova, um movimento COERENTE em meio a essa CONVULSÃO introspectiva que permita ENFIM o meu encontro com o imprescindível - PARAFUSO - que me (faz pouca) falta.



O ovo de Pavlov

Acreditou na história
era a mais convincente
e conveniente...
não pensava
nem doía...
Mais uma compra que acomoda
ou uma imagem que alivía.
Mas fazer o quê?
Acordar e trabalhar
e um pouco de adoçante na fadiga.
As decisões e as circunstâncias
aprisionaram a condição
de ser feliz algum dia
e ainda achava graça
nas ilusões que via.
Tanto esforço
por um pouco de mentira...
Entre o instinto
e o desejo
o pecado e o medo...
A repressão , um lampejo.
Sentiu as pernas tremer
mas preferiu o brinquedo.
E escutar a mesma música
se esquecer e fazer silêncio.
Reclamar da vida
e da falta de dinheiro.
Roubaram a magia!
Aonde foi parar o meu cinzeiro?

Aos filhos da Lua

Enquanto acreditei, vivi.
Quando errei, evolui.
Atento, desperto.
As mentiras, observo.
Na espera do regresso
me escondo num universo
que me é paralelo
e sem mistério.

Gírias, símbolos, mitos.
Analogia, alegorias e sorriso.

Aqueles que desprezei,
os mais belos.
Nos encontros
me revelo.
A espreita no escuro,
espero...
Com os outros...
parcelo os espelhos caídos
do mesmo Verbo.

Fecho os olhos imagino.
Me concentro, respiro.
Com vontade, visualizo.
Acredito e levito
pela espiral do infinito...

Os gatos e os ratos se uniram
querem acordar a cachorrada
para batalha da mente
precisamos roubar o tesouro
que guarda a serpente.