feridas abertas que não se calam


A dualidade na unidade...

Minha tristeza não é existêncial, ela tem uma essência. Essa apatia falsa que eu carrego, fingindo indiferença a mim mesmo tem um motivo. Apatia é a ausência de paixões, o esvaziamento de todo sentimento. Mas em mim, pelo contrário, um turbilhão de paixões briga com uma razão rigorosa, binária e formal que me aprisiona, me esconde, me confunde...
Estou perdido porque sou dois mas sou um só.

É sou um lobo. Um lobo sem moral, sem freios. Um ser passional, que age movido pelos sentimentos fortes do momento . Sou um predador. Que quer explodir em choro, quer se afogar no riso. Sou ímpeto, sou ação, o amor gerado por um beijo, o sexo profano, a magia sagrada...
A loucura da lua cheia e a inércia da lua vazia.
O lobo é realmente um animal solitário. Ele subiu o monte sozinho, de lá vê coisas que ninguém imagina... Se acha superior. Petulante e cheio de si.
Mas também é honrado, guarda a fé e a virtude. É, talvez, sinal da busca pelo divino...

A falta de coragem é a raiz das minhas dores...

Sim, sou um homem frio, irracional, sem-graça, sempre esperando por alguma migalha de carinho ou um pequeno aplauso. Um citadino fracote, inseguro e desonesto. Sou moderação, medo de errar, cautela. Sou falso e calculista. Humildade inverossímil e covardia.
Mas sou a consciência, o repúdio pelo mal, a vontade de ser cada vez melhor.
Eu critico, observo, questiono. Porém não participo, levanto mas estaciono no primeiro retorno.
Quantas vezes quis te agarrar, te arrancar os cabelos, e te mostrar do que o mundo é feito. Mas tive medo, recolhi em mim mesmo, na certeza da astúcia dos malditos pensamentos.

Meus erros são a raiz das minhas dores...




"Todos nós vivemos devorados pela necessidade de ser amados, mas temos medo da insegurança de amar. "




valeu John, os lobos também andam em matilha...

Nenhum comentário: