Ô menina! queria tanto ti falar da saudade que pulsa aqui
esse controle que tenho só faz engolir palavras amargas
que vai criando um câncer dentro de mim.
A missão que tenho pela frente me faz percorrer,
se sigo mais adiante saiba que estou levando
dentro cada pedacinho de você.
Tudo já foi dito porém nem tudo é lembrado
se ainda hesito em dizer coisas que agradam a você
é porque: palavra dita, palavra maldita! palavra suicida!
quantas juras e quantas promessas vãs ainda teremos que saber?
Não! não serei mais um a pagar o pecado mortal com juras de amor
em busca de minha satisfação carnal.
Se a amo? Sim! mas não por d’baixo dos panos,
não por uma imposição divina
que faz crer que ter é algo divinal.
Amo conforme o amor de outrora,
quando ainda não existia às horas,
quando o tempo não era mera ilusão,
nos proporcionando entendimento pra nossa missão.
Amo! ainda que a distância sussurre em seus ouvidos:
“Ele estar em busca de outros gemidos”, tentando acabar
com aquela sintonia que um dia virou mania.
Já cansado de tantas lamúrias em oração aos céus
pedi ao todo poderoso que me mandasse
aquela que me traria conforto espiritual,
ao seu lado fui criança, palhaço, poeta e louco
se gente grande não fui, é porque tive medo
de esquecer daquela menina que me fez entender
o quão simples é dizer, EU TE AMO!

. 0 1, 1 ... 0 .

De todas as voltas
de todos os sonhos
girei
e
caí em mim.

Minha alma é o mundo inteiro
e eu não caibo em mim
Não entendo
e reconheço
todos os erros...
A resposta
a mais inusitada
o vazio
a estrada.
O silêncio
jaz a morada.

Sem história pessoal
ou apego emocional
Deixo um sinal
Àqueles que não
cederam ao mal...

Pecado Santidade
Amor Ódio
Loucura Sabedoria
Mentira Verdade
Vida Morte
se quebra o
espelho
da sorte
.
.
.

Colecionador de pedras

Pedro
Nasceu em dia de chuva,
No ventre da tempestade.
Deus deu-lhe a vida
A mãe, luz a pele escura.
Dona Ana era jardineira
Plantava flores sobre pedras.
O pai, espinho de trepadeira,
apenas doou o esperma.
Pedra preciosa
Foi recebido pelo destino
com quatro pedras na mão.
A fome, de forma desonrosa
transformou em homem, o menino
que brincava com os pés no chão.
Por causa da pobreza
a pedra do seu sapato,
vendeu pedra de gelo
com gosto de chocolate.
Humilde,
mas só se curvou de joelhos
quando foi engraxate.
Pedra lascada
construiu edifícios,
varreu ruas, escreveu poemas
Mestre sem nenhum ofício
tornou-se pedregulho, no rim do sistema.
Rocha, onde a vida queria grão de areia,
o poeta canta sua dor
rima a dor alheia.
E sem deixar pedra sobre pedra
do rancor, o amor ele sampleia. (S.V)

***Alzira tá inspirada, hoje é o dia da esperança!

Órbita

Devotar
a
órbita
trouxe
o
candeeiro...

O inferno
da
lógica
chave
Babilônica
trouxe
o
candeeiro.

Mentira
Histórica
de
uma
cultura
mórbida
trouxe
o
candeeiro

Magnatas
Magmas
segredos
ancestrais
trouxe
o
candeeiro.

Paz x guerra



Em um mundo de paz a guerra se faz necessária para criarem deuses e homens. Criatura e Criador, quando teriam consciência de serem supremos ou inferiores num mundo sem caos? A guerra é reveladora dos contrários, deuses e homens, escravos e livres, a paz põe todos no mesmo patamar, deuses são divinos demais para serem igualados aos homens, necessitando da guerra para provarem sua superioridade, só deuses conseguem manter-se serenos em meio a tempestade. Que interesses seriam capazes de se opor à necessidade de paz que cresce na consciência humana? Imaginemos um mundo de plena paz interior, como as religiões existiriam? É natural, hoje em dia, irmos ao seu encontro só quando estamos atormentados ou, “com o diabo no corpo”. Há uma grande necessidade, por parte dos lideres messiânicos, que estejamos no fundo do poço, a paz, na visão deles, é inimiga da guerra, e não ao contrário, pois se fosse ao entrar num templo, dito sagrado, ouviríamos com mais intensidade palavras confortantes, mas não, a todo o momento estão nos lembrando do caos, a guerra é quase uma obrigação de ser lembrada, não porque ela exista de fato, mas por pura necessidade. Sabe o porquê de muitos lideres estarem prometendo um outro mundo, superior a esse, de plena paz? O Ser humano ao conquistar o tão sonhado gozo o trairiam, pois suas empresas deixaram, a muito tempo, de ser um templo de alegria, de paz, virou uma necessidade prometer pra poder subsistir.Vem daí o grande tormento, ao passar perto de um templo ou ligar a tv, a insistência da grande guerra que estar por vir. Mas escondem do povão, por julgarem esses incapacitados de compreenderem o sistema, os verdadeiros beneficiados com ela, isso quando eles se dão conta de quem está no controle, pois na maioria das vezes estão convictos que a guerra é coisa do demônio, como se o homem não transfigura-se em cão, quando estar ávidos por poder. Criam um problema, a solução é recorrer a suas empresas falidas, mas que perdura por séculos, por estarem maculados com os senhores da guerra. Seus súditos vão atrás de algo que já lhes são inatos, mas precisam de um intermediador para alcançar o inatingível, não permitem que ela esteja dentro de nós, homem e paz não podem ocupar o mesmo espaço, se não venceríamos a guerra . É preciso se humilhar, reprimir os desejos, corta as mãos e os olhos fora, mas jamais aceitar a idéia de que somos capazes de conviver passivamente com nossas aptidões carnais controlando-as. É justamente o fato de não podermos ter tais idéias que surgi os loucos, não os atingidos por um auto grau de inteligência, por acharem que são um grande mal a humanidade, acabam cumprindo um destino que lhe foi imposto.

Na faltar de amor próprio eles se fazem presente, dando a falsa idéia que estão preenchendo você. Não se pode buscar Deus em casa, se não como sobreviriam? Deixando o rebanho perceber que a paz estar dentro deles pra quem falariam?
Eles constroem templos, consomem mentes através de suas palavras idiotas, você que estar aí sentado, levante-se! Há um líder dentro de você!

Sociedade midiática

Mãos para cima e pernas pro ar, batendo palma vai vai vai...
não para não, assim...vai vai vai...
Entretenimento do espetáculo midiático
nossa passividade não é algo natural
ídolos transformados em deuses,
cores que ofusca o brilho do gueto,
pessoas presas à tv por uma mera visita profana,
distraídos com sexo, festas e gincanas.
Mapearam nossas ambições, infiltrando espiões.
“Quanto custa você?” eles querem saber.
é só questão de tempo minuciosamente aparecerão e,
as propostas vão rolar, “Coincidência há?”
Se der mostra de influente, indo de contra a corrente,
esteja preparado, vão tentar te cooptar.
Já se foi o tempo do senso crítico, um milhão seduz
calando a crítica de qualquer restolho.
Meninos(a) sonham com o estrelato, na evolução da
Ignorância transformam-se em sociedade do espetáculo,
fazendo show em cima do palco depois assistindo as melhores
cenas na cama, pagando seus salários com gemidos.
viajantes de um mundo imaginário se transformam
em cenário pro jogo da televisão.

O artista da fome

O artista da fome era aquele profissional que divertia o público. Mas num belo dia....
O mimado artista da fome viu-se abandonado pelas pessoas ávidas de divertimento,que
iam agora em busca de espetáculos mais atraentes.
Que poderia então fazer o artista da fome?
Fora aplaudido por milhares de pessoas e não queria agora
conformar-se com exibições em barracas de feira.
Num derradeiro esforço, o empresário correu com ele metade da Europa, a ver se a antiga simpatia poderia ser reavivada.
Mas não teve jeito, assim, despediu-se do empresário, companheiro de uma carreira inigualável,e firmou contrato com um grande circo.
Um circo importante, que está continuamente contratando e
substituindo homens, animais e aparelhamento, sempre pode utilizar um artista, até mesmo um jejuador, contanto que não exija muito.
não se podia dizer que ali estivesse um artista que, tendo ultrapassado a maturidade e não se achando mais em plena forma, viera buscar refúgio num circo. Pelo contrário, o jejuador afirmava ser capaz de suportar a abstinência tanto quanto antes e disso não se poderia duvidar. Chegou mesmo a declarar que se lhe dessem carta branca, o que lhe foi imediatamente prometido, poderia assombrar o mundo, estabelecendo um recorde jamais alcançado.
Tal declaração provocou risos nos outros profissionais,
pois não estava sendo levada em conta a frieza do público,
fato que o jejuador, em seu zelo, parecera ter convenientemente esquecido. No íntimo, ele não deixava de perceber a verdadeira situação.Conformou-se em ver sua gaiola colocada, não no meio da arena, como principal atração, e sim fora, perto das jaulas dos animais -–local, afinal de contas – bastante acessível.
Quando o público vinha, nos intervalos, ver as feras, tinha de passar pelo jejuador e algumas pessoas paravam, por momentos. Talvez se demorassem por mais tempo, não fossem os empurrões dos que vinham atrás, pela estreita passagem, e que não compreendiam o motivo pelo qual eram detidos. Isto impedia que os primeiros o examinassem com calma depois que passava o maior número, vinham os retardatários. Embora pudessem contemplá-lo à vontade, apressavam-se, sem nem mesmo olhá-lo, tal o medo de chegarem atrasados às jaulas dos animais,. Foi esta a razão que fez com que o artista que aguardara tais visitas como o maior acontecimento de sua vida, começasse a temê-las. A princípio, mal podia esperar pelos intervalos.
apesar do obstinado e quase consciente desejo de iludir-se, teve que se
render à evidência. Convenceu-se de que aquelas pessoas, a julgar pela sua atitude, procuravam apenas visitar os animais.
Talvez as coisas corressem melhor, pensava o artista, se não o tivessem colocado tão perto dos animais. Isto tornava ao povo fácil a escolha, mesmo não se levando em consideração que ele sofria com o cheiro desagradável, a inquietação das feras à noite, a passagem dos pedaços de carne crua, o ruído na hora de serem alimentados, coisas que o deprimiam profundamente. Mas não ousava queixar-se. Afinal de contas, devia aos animais a afluência de tantas pessoas e sempre podia haver alguém que o notasse e lembrasse de sugerir
lugar mais isolado para a gaiola, caso ele chamasse atenção para sua
existência e para o fato de, na realidade, nada mais ser do que um obstáculo à passagem do público. Poderia jejuar à vontade e era o que fazia, mas nada agora o salvaria. O povo passava, indiferente. Fosse alguém explicar a arte do jejum! Quem não a apreciasse espontaneamente, jamais chegaria a compreendê-la.
Muitos dias se passaram e também aquilo chegou ao fim. Um fiscal
apareceu ali e perguntou aos funcionários por que se desperdiçava uma
jaula que continha apenas um monte de palha suja. Ninguém soube
responder até que um deles, notando o cartaz com o número de dias,
lembrou do artista da fome. Enfiaram um pau na palha e o descobriram.
– Ainda está jejuando? – perguntou o inspetor. – Quando, em nome dos
céus, pretende parar?
– Perdoem-me todos –
– Claro que o perdoamos – respondeu, batendo na testa, como a indicar aos empregados o estado mental do jejuador.
– Sempre desejei que admirassem minha resistência.
– Claro que a admiramos – disse o fiscal, amavelmente.
– Mas não deviam admirar.
– Está certo, não admiramos, então, mas por que diz isto?
– Porque tenho que jejuar, não posso evitá-lo.
– Que tipo você é! – exclamou o inspetor – Por que não pode evitá-lo?
– Porque não consegui encontrar comida a meu gosto – respondeu o
artista, erguendo um pouco a cabeça e falando junto ao ouvido do outro, para que não se perdesse uma sílaba. – Se a tivesse encontrado, creia que não teria feito nada disto e me empanturraria como o senhor ou qualquer outro.

Foram estas suas ultimas palavras, mas não olhos apagados restava a
firme, embora não mais orgulhosa, certeza de que continuaria a jejuar.

– Pois bem, limpem isto aqui! – ordenou o fiscal.
Enterraram o artista da fome, com palha e tudo. Em seu lugar, puseram
uma jovem pantera. Até mesmo as pessoas mais insensíveis acharam
agradável ver o animal selvagem pulando na jaula que durante muito tempo tão lúgubre parecera. A pantera ia muito bem. A comida que lhe convinha era trazida pontualmente pelos empregados e ela nem mesmo dava impressão de sentir a ausência de liberdade. Aquele nobre corpo, provido ao máximo de todo o necessário, parecia trazer em si a própria liberdade. A alegria de viver fluía de suas faces com tal ardor, que aos espectadores não era difícil suportar o choque. Mas enchiam-se de coragem, comprimindo-se à volta da jaula, e acabavam não querendo mais se afastar.
Franz Kafka