Ego Trip no Zôo Virtual

Poeta, vagabundo marginal,
xamã esquizofrênico,
gatinho polêmico
ou um mero escritor.
Sem diploma
ja fui professor...
Contador de histórias
ou hipnotizador...
Camelô digital
macaquinho clicador.
Posso ser uma engrenagem
de um trabalho cósmico
ou um eletron disperso
de comportamento nada linear
sempre confundindo o observador.

Destruidor de paradigmas
guerreiro ninja
pode criticar a rima.
Caminho pelos bastidores
pra saber quem comanda
o roteiro da vida.
Conhecendo os códigos do sistema
brinco em cena
pra não me tornar um escravo
desse maldito esquema.
Questiono os arquétipos
construo egrégoras
decifro as alegorias
conheço os símbolos.
Não tente me classificar
não preciso de títulos.

Dia e noite na labuta
tradição oral
é pra quem presta
atençao e escuta...
as conversas das torres
aprende com as dores
não se aliena com as cores.
Sorri dos paradoxos
bota lenha na fogueira
e pelas brechas
acende a bomba
e espreita.
Agradece a Deus
e pede licença ao capeta.

Atuandante do palco terrestre
apreciador da agricultura celeste
psiconauta do labirinto
renasci no sertão do agreste
pra tirar o véu
que me adormece.
Profeta visionário
Maluco panfletário
.i.diota, otário
Autônomo sem horário.
Sem pai, sem mãe
sem genealogia...
não tendo princípio de vida
nem fim de dias...

De faraó do Egito
filho da puta,
samurai haxixin
a playboy metido.
x9 do ovo
O V de vingança
do pisciano lunar
cheio de esperança
de sair do previsível
e enxergar algo novo.
Marcando gols pelo subúrbio
ou rompendo com 7º circuito
entre a intuição e o impulso
às vezes tomo banho e durmo sujo.
"aliciador" de menores
me conecto com o provedor
das conexões sinápticas maiores.
Traficante, mas de informação
um eterno aprendiz
da sagrada transmutação.
Aliado da morte
jogo o i ching pra ver minha sorte
as cartas e a palma da mão
revelam o destino
de quem nasceu para ser um camaLeão.
Com a casa VII em Escorpião.
Sempre me fingindo de bobo;
porque o mal do urubu
é achar que o boi tá morto.

Engenheiro Hedonista
Pastor e caçador
Espião da plebe
ou um mago do caos anarquista?
Hierofante Tantrista
Agente sufista
ou iniciado satanista?

Sou o Todo. Sou o nada.
Sou o caos e a ordem.
Sou masculino e feminino.
O amor e o ódio.


No final das contas, só os justos prevalecem.



O dia do reencontro

Quem quer ser
não pode dizer que é.
Os sentidos confundem
as aparências enganam
são tantas perguntas
sem respostas...
Que é mais confortável
repetir a mesma dança.
E nessa confusão de línguas
é tão fácil manipular a auto estima
jogar a isca justamente naquilo
que precisa.
E ainda soltaram a faísca
quando me disseram pra ser mais político
Não diga isso pra quem
acabou de renascer
depois de cair
no precipício.
Cansa ter que atuar
pra não ir para um hospício.
Eu prefiro ser mais polido
me descobrir enquanto
a maioria se distrai com o circo.
Por que se eu repetir essa fórmula
conhecendo os disfarces
me torno um vampiro...
aí meu querido
te sugarei em doses homeopáticas
pra me sentir mais vivo.

No inferno da solidão
descobri a verdadeira transmutação
sem aplausos, carinho ou elogio.
Sem tapinha nas costas
ou falsos sorrisos...
Julgamentos acontecem apartir
do que convém...
não tem importância
se faz o mal ou o bem...
mas assumir os riscos das escolhas
e a punhalada da consciência
quando se está frente a frente
no espelho com mais ninguém.

Tem gente achando que está pensando
quando apenas está reconfigurando
seus preconceitos
repetindo sempre o mesmo
feito e efeito.
Se achando mais esperto
Só por que ouviu falar
de um segredo.
A pontinha do iceberg
que nem escalou
apenas escutou...
Aumentando ainda mais
a dose do veneno.
Por isso agora falo menos
pra pensar mais.
Me exponho te confundindo
me liberto quando te ensino
mesmo que não enxergue o que está por detrás.
Ninguém precisa saber a dor que carrego
ou o prazer que me satisfaz...

Sou um psiconauta no labirinto
a espera do Absinto.
Não pense que é uma bebida
mas o início pra saída,
que está em mim
em como interpreto a vida.

Na busca de um reconhecimento
que nunca veio
tive o retorno
do todo que é a soma das partes
com o meio...
não sou artista
mas faço arte
quando junto Vênus com Marte
ouvindo o que cada um tem a dizer
tanto as mentiras
quanto as verdades.
Sentindo os dois pólos
da mesma realidade.
Já que eu sei do amanhã
vivo o hoje
sangrando e me curando
sem precisar ir ao divã.

É tanto medo e carência
orgulho e remorsso
certeza e ódio...
das mimadas crianças
que deixam de brincar
pro jogo virar um negócio.
Deixamos de ser amigos,
para nos tornarmos sócios.
Num caminho sem propósito.
Falamos em amor, mas o que fazemos
é uso de corpos
na busca de um instante de alívio
que depois se torna num imenso vazio.
Alimentando o vício do ócio.

Me arrepio quando lembro do inimigo
o quanto estou preso ao meu
próprio umbigo...
A batalha é travada agora
entre eu e mim mesmo
na tão esperada Era de Aquário;
Carrego minha cruz pelo calvário
caindo e levantando
tentando chegar do outro lado
é preciso o sacrifício
é preciso o martírio
antes do último suplício...
antes do último suspiro.


"Eu me entrego somente ao que chegou à crucificação, resistindo aos embates dos quatro elementos. Amo somente aos que tem sabido apurar a copa da amargura, das traições, do escárnio e a mofa, perseguições, calúnias e difamação; àqueles que tenham persistido com valor, sofrendo da solidão do espírito em um mundo de animais. A mim se chega depois de haver recebido a calúnia e a difamação, que são as provas do ar; dos golpes e das perseguições, que são as provas da terra; dos vícios e das tentações sensuais, que são as provas da água, e depois de haver dominado as ambições descontroladas, que são as provas do fogo."
Não via fundamento em admitir solicitudes extraviadas pela razão de não se dar ouvidos ao que diz o SIM. Via penas, via voltas, via meios. E viu o dom de negar dominar e atrapalhar a fluidez dos gestos. Viu um buraco profundo e misterioso tragar os suspiros e os arrepios. Se alguém vier e me emprestar uma boa lanterna, eu vou agradecer bastante, pode crer! Eu vou dizer: VEJA! OLHE PRA DENTRO! É BEM AÍ QUE PODEMOS ENCONTRAR O PROCURADO.

(alzira distante)

Me impuseram um enredo, nem mesmo me deram a chance de escolher a sequência de números que me identificaria. Quiseram numerar também meu peito. Saber qual é a lógica de absorção de sensações latentes em cada centímetro sob pele desse corpo que me foi emprestado por incerto tempo. A qualquer momento posso abandoná-lo. Ou alguém pode vir e me mostrar como é fácil saber onde é que ficam os trilhos mais próximos. Não me deixo enganar então, tento continuar propagando abraços e a idéia de que a vida também pode ser tempo de evolução. Alguém me inspirou bondade e coragem. Passo adiante, com os sonhos à flor da pele e o coração cheio de respeito. Os números não podem identificar o que se passa em nossa imensidão.

Era uma vez essa vontade de sumir!

Abismei-me
traguei a mim
num abismo mesmo...
um desses longos
bem pro fundo
e lá, bem longe
vi um flash de qualquer coisa clara
que iluminava
minhas pálpebras
minhas unhas
e meus pêlos
esses últimos também se arrepiaram
senti pela espinha um ar de asas brotando
e no ventre, bem perto do umbigo
senti arrepios
os de explicação por escrito improvável...
depois de sentir isso
mal posso imaginar de onde é que vem a razão. (Distante)

*** Era uma vez ela, que via raios de sol nas noites nubladas. Era uma vez Deus, que dizem ter criado o coração disparado dos homens. Nada em volta parecia fazer sentido... e quem foi que disse que há? As placas eram enormes, tinham nomes de ruas e de bairros. Pareciam dar direções. Havia outras também, maiores ainda. Essas com modelos de gente, de apetite, de comportamento, com modelos de atitude. Ufa! Pensou ela. Me sinto segura agora. Há placas pela cidade que me dizem por onde ir, como agir e o que pensar...eu não preciso mais raciocinar...e Deus deu um jeito de disparar ainda mais seu coração.