Poema baseado, em fatos reais.


o governo tá mal amarrado
e o meu barraco mal terminado
é no trem e é no ônibus
só ouço nêgo mal reclamado (e branco também)
não quero ser do contra
não quero posição
só quero um pedaço de osso
que é pra eu roer minha aflição
se o outro taca pedra e quebra o vidro
não posso fazer nada,
só quero descer ô motorista
se o freio descarrilha
ai meu Deus o que é que eu faço
vai com calma aê seu maquinista
não quero pedir permissão pra engravatado
e muito menos dar sorriso de empregado
minha raíz é de concreto meu amigo
e eu sei que pro meu coração
não tem só um revólver engatilhado
meu verso é certo e é solto
minha rima é livre, vem quando dá na telha
e se não vier também...tá tranquilo. (Distante)

***"Para tirar meu Brasil dessa baderna, para tirar o Brasil dessa baderna...só quando o morcego doar sangue e o saci cruzar as pernas...." (B.da S.)

Colírio pra rotina...


Aperta o cerco
se fecha o beco
satélites urbanos
filmam jogos humanos
presos no labirinto
de seus desejos
parcelam com juros
de sangue
o próprio preço.

A torre vigia
o corre -corre todo dia...

Estreito é a fuga.
De plástico a comida
Sorriso de fome
Anorexia entorpecida
Micareta eletrônica
Hipnose Coletiva.
Febre bubônica.
Figurinha repetida.

A torre vigia
o corre- corre todo dia...

do ambulante disfarçado no trem
ou vapor digital vendendo
o lançamento global pro
rabino de Jerusalém
o avião de escala no
leblon
até reunião secreta do maçon
O dia do malabarista
do desprezo
e a noite do falcão
do desespero...

A torre vigia
o corre- corre todo dia...