afaste
deste
humilde
poeta
o suspiro
do
último
verso
na
última
hora
dos
momentos
contados
não
pude
criar
contos
entretanto
amontoados
no escuro
da estante
estão as contas.

"Uh, uh, tava lá no informe
O mar amanhã vai tá stormy
Eu vou meter a bola onde a coruja dorme
Raggamuffin'pam! No homem de uniforme
Você assume várias formas
De todas as maneiras que puder, você se informa
Pra burlar algumas normas
Atravessar o deserto de gelo
E se banhar depois em águas mornas
Piso pesado no seu pesadelo, assim tipo bigorna
Censurar ninguém se atreve, caldeirão ferve e entorna
Resolve sua parada com quem você deve
Resolve sua parada lá com quem você suborna
Nível de coliformes fecais
Elevou demais os efeitos colaterais
Eram homens que usavam uniforme
Não sei se eram civis, militares ou se federais"Sou tal qual a arvore esquecida num quintal
só lembrada na hora da proteção do sol escaldante,
arvore que mete medo, em meio ao vendaval carregado
de verdades. Sozinho com os carinhos de meus galhos, espio os homens conformados com sua morte mesmo antes de fecundar.
Minha raiz , minha espinha dorsal, minha real sustentação.
Sinto a inocência das crianças subir por meu caule, fazem morada em meu ninho interior, a paz que falta nos adultos, seus olhos esbugalhados, sua ânsia ao desnecessário, o uso que fazem do meu tronco faz meu leite derramar,
transformado em cinzas hoje
amanhã resgatado pelo ar.
Ramificado, alargo minha proteção aos desabrigados, meus frutos não os nego a ninguém, é uma honra não deixa-los apodrecer em mim. Contemplo os pássaros sobre meu cume, desesperados,aterrissam e cantam uma cantiga pra mim, abismado escuto: “os gaviões estão circundando com sua altivez, querem o infinito como limite, transformam
Pobre dos homens, eles passarão e nós, natureza, passarinho! juntar-se-ão a nós, comeremos sua carne podre, não podem fugir do ciclo natural. Artificiais,insignificante parte da cadeia alimentar, não educam a sensibilidade do seu corpo e do seu espírito afim de perceber a beleza natural da vida, viajantes do capital imaginário vão borrando nosso cenário com tinta de poluição.
No caos tempestuoso, as folhas secas agarradas a mim vão caindo, iludidas, misturam-se com os vermes que as deixam paquidermes.
Vejo minha sombra pregada nas paredes, meu natural não emociona mais, secam nossos rios, nossas lágrimas são transformadas em chuva ácida, nosso O2 esta acabando em prol do CO2 dos homens do capital.