Néctar

Meus sentidos não são meio adequado para entender.
Não entendo,sinto!
Em mundo vazio sou apenas um instante passageiro.
Sentir-se grande é ser do tamanho de um grão.
Vida que se vive hoje é semente plantada pra outra dimensão.
Não sou mais o mesmo ser, sou agora pro que nasci.
Descortinando intenções dos subconscientes
vou além dos vocabulários vãos,
se incapaz de controlar seus desejos
não manche o coração com segundas intenções.
Envolto nesse turbilhão de versos que percorrer
meus pensamentos vivo a vida a sonhar,
compartilhando a dor com meus iguais posso ver o todo
inexpressivo que há em cada olhar.
Faço o que manda meu coração.
Livre das amarras da vaidade
vejo surgir as múltiplas personalidades
iludidas com o mundo das vontades.
Ter os olhos abertos não é enxergar.
Ando às cegas pra não cansar a vista com os homens,
o cego senti, aprimora seus sentidos,
com a finalidade de existir.
Sozinho estou se a dois insuficiência há em mim.
Com a alma desnuda sou camaleão
frente às diversas ilusões que chamam de realidade.
Desconstruindo o passado o presente jaz
na busca ao futuro infinito.
Entre o ato de pensar e a palavra dita está meu sentir,
nesse intervalo tenho contato com o amor,
a verdade mais pura petrificada em nós.

BrUSCA

Eu abomino as crianças ... elas me contemplam com o mais sincero ASCO, enquanto o RESTO disfarça, babam vitrines e nem ousam me encarar.

Não se assombrem; essa minha TIMIDEZ é conseqüência de uma concentração em meio à HISTERIA ensurdecedora que vibra aqui dentro.

Creio que eles prefiram assim, no máximo uma fresta que DESPE as sombras, roubando de mim mais do que eu já PERDI.

Não tenho bem certeza qual direção me levará à saída, MAS certamente eu correria se houvesse energia, boa ou NÃO, que conduzisse meu corpo até ela.

Ainda sinto a parte DESFALCADA de mim, sem poder controlar-me, como um curto circuito que resume em apatia toda a minha INDIGÊNCIA.

Continuo procurando incessantemente sem que me mova, um movimento COERENTE em meio a essa CONVULSÃO introspectiva que permita ENFIM o meu encontro com o imprescindível - PARAFUSO - que me (faz pouca) falta.



O ovo de Pavlov

Acreditou na história
era a mais convincente
e conveniente...
não pensava
nem doía...
Mais uma compra que acomoda
ou uma imagem que alivía.
Mas fazer o quê?
Acordar e trabalhar
e um pouco de adoçante na fadiga.
As decisões e as circunstâncias
aprisionaram a condição
de ser feliz algum dia
e ainda achava graça
nas ilusões que via.
Tanto esforço
por um pouco de mentira...
Entre o instinto
e o desejo
o pecado e o medo...
A repressão , um lampejo.
Sentiu as pernas tremer
mas preferiu o brinquedo.
E escutar a mesma música
se esquecer e fazer silêncio.
Reclamar da vida
e da falta de dinheiro.
Roubaram a magia!
Aonde foi parar o meu cinzeiro?

Aos filhos da Lua

Enquanto acreditei, vivi.
Quando errei, evolui.
Atento, desperto.
As mentiras, observo.
Na espera do regresso
me escondo num universo
que me é paralelo
e sem mistério.

Gírias, símbolos, mitos.
Analogia, alegorias e sorriso.

Aqueles que desprezei,
os mais belos.
Nos encontros
me revelo.
A espreita no escuro,
espero...
Com os outros...
parcelo os espelhos caídos
do mesmo Verbo.

Fecho os olhos imagino.
Me concentro, respiro.
Com vontade, visualizo.
Acredito e levito
pela espiral do infinito...

Os gatos e os ratos se uniram
querem acordar a cachorrada
para batalha da mente
precisamos roubar o tesouro
que guarda a serpente.

multidão de mundo grande.

pro centro, os carros

são muitos

passam quase sem se poder ver

nos dias desse rio

os peixes morrem em mãos já quase sem vida

do ônibus as cores

verde, amarelo, vermelho

vermelho,vermelho,vermelho

na rua entre quem perambula um grito

um morto

acontecido conseqüente

pessoas correm , falam

o morto? Que morto!? O trem já vai sair!!!

nos olhos a confusão sobre o que se vê

nas mãos o suor sabe-se lá de quantos

nos pés a vontade desesperada

de desaparecer

na voz o silêncio

conformado, acostumado... (Distante)



***"Não, meu coração não é maior que o mundo
É muito menor
Nele não cabem nem as minhas dores
por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito (...)

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que os homens se comunicam).

Outrota escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente..."(C.D.A)

Perturba, mas acalenta

Gostaria de experimentar os prazeres mais singelos da vida
A efusividade de uma mera piada
A sensação da insana felicidade
A volúpia de cada penetração
E o furor do tão insofismável orgasmo
Esse afã impiedoso de querer algo alheio para si, seca as rosas a minha volta
Enquanto uma afro-nuvem encobre o sol da manhã de uma primavera suntuosa
Sinto o peso de minha alma materializada em uma faca que fere por detrás de meus olhos a cada respiração diafragmática
Cobiço todo sorriso - horror show - e isso faz brotar / em seus gananciosos portadores / uma célula desesperadamente aflita e ninfomaníaca / que não pára de se reproduzir >
Epifania - Eureca! Minha dádiva, minha missão concluída...

AlgumaS pessOas nascem para que haja uma Falsa justIça Entre as pregas sacras de um rosto que mostra incoerente subjetividade dentária.