Eu, primata


Descendente de Caim
rebelde nephlin
recebi a adaga
do nobre querubim.

Beijei o olho da serpente
posso enxergar la na frente
traí os ritos
pra disseminar a semente.

Engrenagem da Ordem
de Melquisedec
cada honra
tem quem merece...
De outras vidas
no Egito
o batizado
no rio Nilo

ou cigano pelos caminhos
das índias...
meus grandes amores
reencontro nessa vida
meus desafetos
todos membros da família.

Retirando os véus
da mentira
aprendo a cada dia
no deserto do real
discernir entre uma miragem
e o peso da substância.
Participo da dança
da ilusão
vibrando
no meu próprio ritmo.
Procurando encontrar
o par certo
para transmutar
ao infinito...
As mil e uma noites
desvendando a criação
do paraíso.

Um eterno aprendizado cósmico
da hierarquia celestial
para depois de vários ciclos
evoluir para o super chimpanzé
ou se transformar num pequeno vírus.

E não importa em qual altura
se encontra na pirâmide
nesse jogo de contrastes
e paradoxos
Existem miseráveis de espírito
empanzinando-se no topo
e sábios disfarçados de mendigos.



"Processo é lento de evolução
Processo quase eterno de repetição."



bad trip depois de um acarajé estragado.


as ruas largas dessa cidade, a outra
o sobe e desce que deixa os olhos tontos
e o estômago leso.
nada disso parece comportar tantos peitos em chamas.
são muitos os sorrisos mal comportados então.
aqui não dá pra passar com meu senso de direção
não sei aproveitar nada
não sei versar
nem sei cantar
tantas vezes só pareço passar
e longe.
longe dos afetos
dos desejos
dos olhares.
eu não percebo
não reajo
me sinto inútil.
me sinto inútil
diante de taaaanta vontade de revolução que vejo por aí.
então sou só mais uma?
só isso
e nada mais?
nada?
mas...o que é que tem isso?!
somos tantos...
uma "sociedade inteira"
e eu ainda vim de longe pra ver tudo isso.
até minha pele parece reagir
e por onde será que ando quando tudo tá acontecendo?
quando será que esse autismo passa?
egoísmo do caralho...
a verdade é de acordar
e rápido! (a. distante)

***teria nossa companheira chamada Alzira Distante perdido totalmente sua capacidade de escrever poemas? Teria ela algum dia realmente dominado essa capacidade?

A charada do criador

A respiração inspira
a dor ilumina
a solidão expia
a hipocrisia das almas
em letargia contagia.
Há muito tempo quis ser lido
pra mostrar que existo
hoje grito no seu ouvido:
nada , absolutamente nada
do que te disseram
faz sentido.
Não dê ouvido
ao seu próprio umbigo.
Sentiu o que eu disse?
A angústia é global
e cada um foge de si
a sua maneira.
Atrasando ainda mais
a brincadeira.
Todo mundo carente
sorrindo com o presente.
Nessa contradição
é melhor pegar a contra mão.
O que adianta essa batalha
que não te leva ao infinito?

Ocupados e distraídos
vagamos divididos.
Dormindo ou sonhando
esquecemos do plano.
Quem está ao nosso lado?
Deus ou o diabo?
Enquanto você brinca de faz de conta
tem gente pagando a conta.
Nos enterramos em nós mesmos
cheios de certezas
em verdades que não passam de mentiras
cercados de objetos
numa linguagem viciada que limita
e causa conflito...
vou correr pelo mesmo motivo?
Numa luta sem vitória
esqueça sua pseudo história
me mostre o que tem além da máscara
que eu te dou tudo que tenho...

uma simples conversa
a brisa leve que eleva
a água da cachoeira
e um singelo sorriso...


Por que a liberdade da verdade e as coisas mais simples são dádivas que não posso desistir.

Você viu?

Eu queria a sabedoria dos ignorantes.
Que nada sabem
e qualquer coisa satisfaz.
Que falam de tudo
e não dizem nada.
A cerveja gelada
a música alta
e o rebolado até o chão.
Me dá um beijo
em troca de uma ilusão.

Viva a festa
o pão e o circo!
Que a cada dia vão ficando mais caros.
Pois o mais fraco tem que morrer
pro mais forte sobreviver
realizar seus sonhos
e se ver na tevê.
O vírus se espalha pela cidade
o egoísmo se torna necessidade
nesse jogo de cartas marcadas
pior cego é aquele que vê.
E não sabe o que fazer
para aliviar a dor de saber
ter que fingir para conseguir esquecer.

E você samba de que lado? E de que lado você vai sambar?

Inquieto

O tiro saiu pela culatra
entrou pela garganta
e não quero mais conversa fiada...
de terceiras intenções
e frases macias
eu já tô cheio...
Nessa esquizofrenia mais que abstrata
não sei de mais nada.
Caminho sem caminho
vejo no final um precipício
mais um fim e outro início.
Fujo do quarto pela janela
vejo um corredor e
entro na sala mas a porta
esta trancada.
Queria ser o herói e
percebo que sou uma formiga
a ser esmagada...
Me perco com o reflexo do espelho
mais um macaquinho condicionado
sem emprego.
Descubro mais um segredo:
disciplina, respiração
e silêncio.
Mas não consigo me manter
assim por muito tempo.
Se antes eu sonhava
hoje já nem durmo mais...
apaguei o passado
fiz um acordo com o presente
e não sei mais nada do futuro.
Fiz bondades em troca de lealdade
e hoje só ficou a saudade...
Com a maldição da loucura
não soube interpretar outros personagens
vou recarregando no inferno as forças
para transmutar a realidade.
Pago pelos meus erros e devaneios
quero a dor que mereço...
um objeto de carne
fora da validade
não consigo sorrir
só com alguma finalidade.
Todas as certezas e máscaras
na fogueira das vaidades...
me sinto nú e só.
Em liquidação e sem preço.
Sem inspiração
para um novo enredo...
escravo da incerteza
e do medo...
Eu só queria saber ao menos
no que agarrar
pois o extremo da lucidez cega
tudo fica claro
e ao mesmo tempo escuro
quase tudo obsoleto.

E o caminho do meio...
esse é reto, sem volta.
Com a morte
do lado esquerdo
e o coração ardendo...
será que ainda o tenho?

os dias passam na velocidade de um pavio de bomba, ACESO.