
Caminhando pelo caminho
às vezes pego a direita
outras a esquerda e sigo.
Tantas setas confundem a direção;
nessa solidão cercado de amigos...
converso com os livros.
Entre sombras e aparências
quero Sol e água fresca
pra viver sem pressa
observando a fresta
entre o céu e a janela
descobrindo um motivo pra fazer festa.
A gravidade me põe no chão.
Na derrota do campeão
busco os revolucionários
e acho os artistas de mercado.
Sou meu mestre e discípulo
o Joio e o trigo.
O caçador e pastor
o público e o ator.
O herói de várzea que queria ser mago
se entorpece sem sentir torpor.
Fujo da própria sombra
me perco da fonte...
sou o ímpar e a consoante
quero a puta e a cartomante.
Dou um tiro no próprio pé
ao sorrir pro inimigo
A distração e o prazer
fazem esquecer do perigo
de se manter dormindo, satisfeito
e sorrindo.
Entre a exaltação e a dissolução
O silêncio e o grito
sou mais um menino esperando por carinho
da Deusa que um dia voltará?
Um dia eu penso menos
e aprendo a amar?
São poucos os momentos que me sinto vivo.
Por enquanto vou recortando e colando os mitos.
Esperando um dia poder me libertar desse
sonho esquisito.
“Não somos aquilo que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós”
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