Inevitável

eu não vi o fim da linha
não percebi o fundo do poço (que não havia)
me joguei como quem não tem motivo
e fui tôla, fui outra
demonstrei minha parte gente de falar das coisas...
transformei minha própria linguagem
num discurso de auto culpa
num quase sermão de ego ferido
quis carregar uma cruz impossível
a da perfeição
esta, que se existisse, aniquilaria
a beleza inconstante das coisas...
e causei dano numa engrenagem invisível
que nos conduz e nos protege dos danos
irreversíveis à nossa integridade (inocência)
consumista e tranquilizadora
e então, veio o anúncio organicamente mentiroso
a hipocrisia ecologicamente correta
e eu quis pôr um fim à minha imagem refletida no espelho
mas ainda podia vê-la brilhando num rio de água turva de tanta vaidade...
e é assim que eu sou
e assim você também é
e somos todos
porque hoje a pureza passou longe de mim. (Distante)


***"...um toque de sonhar sozinho te leva em qualquer direção..." (L.M)

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