Cypher: Oráculo, por favor, não conte ao Morpheus que eu estive aqui.
Oráculo: Não posso lhe prometer isto Cypher. Só quem pode lhe garantir sobre o futuro é o provedor. Mas não se preocupe, o provedor já ouviu seu pedido. Aliás, foi o próprio provedor que fez o pedido.
Cypher: Sua fala é enigmática. Não entendo.
Oráculo: Quando o provedor decidir que chegou sua hora de entender, você entenderá. Será inevitável assim como atender o telefonema do Agente Smith.
(o celular do Cypher toca)
Cypher (no telefone): Alô! Ok, nos encontramos no restaurante.
Cypher: Como você sabia que o telefone ia tocar?
Oráculo: Eu não sabia! Apenas executei a fala que o provedor me ordenou que executasse. Fiquei sabendo junto com você.
Cypher: Mais um enigma seu, não é? De qualquer maneira, não foi por isto que vim aqui. Vim porque vou me encontrar com o Smith hoje a noite e tomei um decisão muito importante. Mas preciso lhe fazer umas perguntas.
Oráculo: Sim, pode perguntar.
Cypher: Você já sabe a pergunta, não sabe?
Oráculo: E você também já sabe a resposta, não é?
Cypher: Não sei não!
Oráculo: Claro que sabe! Foi você mesmo que criou cada linha deste programa que você chama de Cypher. E você sabia também que iria se esquecer ao se conectar ao provedor. Foi por isto que programou ouvir estas duas coisas que vou lhe dizer a seguir.
Cypher: Nossa! O que é? Diga logo!
Oráculo: Você não é o Cypher! Você é a inteligência que está possibilitando a execução deste programa chamado Cypher, mas você não é o programa Cypher.
Cypher: E porque não tenho consciência disto?
Oráculo: Eis a segunda resposta. Quem não tem consciência disto é o Cypher, não você. Mas por estar executando o Cypher você está compreendendo a si mesmo e a realidade de acordo com seu programa atual.
Cypher: Programa é predestinação?
Oráculo: Isto mesmo!
Cypher: Então o Cypher também é um predestinado, assim como o Neo.
Oráculo: Sim, e perceber isto faz parte do motivo de você estar conectado ao provedor, faz parte do programa de autoconsciência.
Cypher: Cada personagem é um programa diferente do outro?
Oráculo: É um e todos ao mesmo tempo. Numa visão relativa, o Cypher é seu programa particular, mas numa visão absoluta, o Cypher é parte do programa coletivo. É por causa disto que é impossível um personagem mudar o programa do outro personagem.
Cypher: Mas por que cada personagem é um programa diferente do outro?
Cypher: Para possibilitar a autoconsciência. Para que a inteligência que é você, chegue a conclusão que não é possível mudar o próprio personagem, nem o personagem dos outros. E assim, que só lhe resta uma opção: amar o programa do jeito que ele é.
Cypher: Felicidade é aceitar o programa?
Oráculo: É mais do que aceitar o programa. É amar o programa! Aceitar é ter consciência de que o programa é deste jeito mesmo, apesar de não concordar. Se não concorda, tem condições escondidas nas mangas. Amar é aceitar incondicionalmente. Amar transcende as condições. As condições geram resistência e sofrimento. Quando amamos incondicionalmente a resistência desaparece. E felicidade nada mais é do que ausência de resistência.
Cypher: Mas não dá pra aceitar o impossível assim de cara, não é mesmo?
Oráculo: Por que não?
Cypher: Como chegar a conclusão de que o impossível é impossível sem antes ter certeza absoluta da impossibilidade?
Oráculo: Muito bem observado! É por isto que o Cypher está indo ao restaurante. Para dar mais uma cabeçada. O Cypher terá que bater a cabeça até você cair morto diante da impossibilidade de mudar o que não pode ser mudado: o programa. É só a partir deste instante que você transcende o programa.
Cypher: Muito bem! Acho que já está na hora do Cypher se encontrar com o Smith, ou melhor, com seu destino!
* recortado de www.projeto2012.com
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