Blargh!

Pra que as palavras? Por que há palavras? Os dedos não sabem o que fazer...a garganta sente arranhões feitos pela saliva. O estômago arde e os pulsos latejam entristecidos. E as palavras querem pular na cara do outro, querem esmurrá-lo, elas gritam!!! As palavras estão enraivecidas, elas se agarram em seu pescoço e se debatem, dando ponta pés afiados. As palavras estão penduradas naquele ouvido, elas querem entrar, estão armadas de letras que rasgam. As palavras voam nos olhos, elas têm pedaços de vidro que sangrariam um coração. As palavras desabam no ar, elas soluçam sem saber o que fazer...estão perdidas em sua própria confusão.


...(...muito, muito Distante...)...



***"é mais fácil cultuar os mortos que os vivos
mais fácil viver de sombras que de sóis
é mais fácil mimeografar o passado
que imprimir o futuro
não quero ser triste
como o poeta que envelhece
lendo maiakóvski na loja de conveniência
não quero ser alegre
como o cão que sai a passear com o seu dono alegre
sob o sol de domingo
nem quero ser estanque
como quem constrói estradas e não anda
quero no escuro
como um cego tatear estrelas distraídas
amoras silvestres no passeio público
amores secretos debaixo dos guarda-chuvas
tempestades que não param
pára-raios quem não tem
mesmo que não venha o trem não posso parar
veja o mundo passar como passa
uma escola de samba que atravessa
pergunto onde estão teus tamborins
pergunto onde estão teus tamborins
sentado na porta de minha casa
a mesma e única casa
a casa onde eu sempre morei" (Z.B)Bala da boa!!!!

Um comentário:

Anônimo disse...

Sem palavras...

E viva o Zeca!