O dia do reencontro

Quem quer ser
não pode dizer que é.
Os sentidos confundem
as aparências enganam
são tantas perguntas
sem respostas...
Que é mais confortável
repetir a mesma dança.
E nessa confusão de línguas
é tão fácil manipular a auto estima
jogar a isca justamente naquilo
que precisa.
E ainda soltaram a faísca
quando me disseram pra ser mais político
Não diga isso pra quem
acabou de renascer
depois de cair
no precipício.
Cansa ter que atuar
pra não ir para um hospício.
Eu prefiro ser mais polido
me descobrir enquanto
a maioria se distrai com o circo.
Por que se eu repetir essa fórmula
conhecendo os disfarces
me torno um vampiro...
aí meu querido
te sugarei em doses homeopáticas
pra me sentir mais vivo.

No inferno da solidão
descobri a verdadeira transmutação
sem aplausos, carinho ou elogio.
Sem tapinha nas costas
ou falsos sorrisos...
Julgamentos acontecem apartir
do que convém...
não tem importância
se faz o mal ou o bem...
mas assumir os riscos das escolhas
e a punhalada da consciência
quando se está frente a frente
no espelho com mais ninguém.

Tem gente achando que está pensando
quando apenas está reconfigurando
seus preconceitos
repetindo sempre o mesmo
feito e efeito.
Se achando mais esperto
Só por que ouviu falar
de um segredo.
A pontinha do iceberg
que nem escalou
apenas escutou...
Aumentando ainda mais
a dose do veneno.
Por isso agora falo menos
pra pensar mais.
Me exponho te confundindo
me liberto quando te ensino
mesmo que não enxergue o que está por detrás.
Ninguém precisa saber a dor que carrego
ou o prazer que me satisfaz...

Sou um psiconauta no labirinto
a espera do Absinto.
Não pense que é uma bebida
mas o início pra saída,
que está em mim
em como interpreto a vida.

Na busca de um reconhecimento
que nunca veio
tive o retorno
do todo que é a soma das partes
com o meio...
não sou artista
mas faço arte
quando junto Vênus com Marte
ouvindo o que cada um tem a dizer
tanto as mentiras
quanto as verdades.
Sentindo os dois pólos
da mesma realidade.
Já que eu sei do amanhã
vivo o hoje
sangrando e me curando
sem precisar ir ao divã.

É tanto medo e carência
orgulho e remorsso
certeza e ódio...
das mimadas crianças
que deixam de brincar
pro jogo virar um negócio.
Deixamos de ser amigos,
para nos tornarmos sócios.
Num caminho sem propósito.
Falamos em amor, mas o que fazemos
é uso de corpos
na busca de um instante de alívio
que depois se torna num imenso vazio.
Alimentando o vício do ócio.

Me arrepio quando lembro do inimigo
o quanto estou preso ao meu
próprio umbigo...
A batalha é travada agora
entre eu e mim mesmo
na tão esperada Era de Aquário;
Carrego minha cruz pelo calvário
caindo e levantando
tentando chegar do outro lado
é preciso o sacrifício
é preciso o martírio
antes do último suplício...
antes do último suspiro.


"Eu me entrego somente ao que chegou à crucificação, resistindo aos embates dos quatro elementos. Amo somente aos que tem sabido apurar a copa da amargura, das traições, do escárnio e a mofa, perseguições, calúnias e difamação; àqueles que tenham persistido com valor, sofrendo da solidão do espírito em um mundo de animais. A mim se chega depois de haver recebido a calúnia e a difamação, que são as provas do ar; dos golpes e das perseguições, que são as provas da terra; dos vícios e das tentações sensuais, que são as provas da água, e depois de haver dominado as ambições descontroladas, que são as provas do fogo."

2 comentários:

favela disse...

alimentar o vicio do ócio, virou negócio: entreterimento.

fala cabeção
fala, que esse ano o silêncio pede passagem em mim.

QuANdo-quanDO disse...

Tá que tá, esse!